05/02/2026
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Novas doses de estatinas salvam vidas, veja a razão

Reduzindo o colesterol LDL e prevenindo doenças cardiovasculares

Há um consenso entre especialistas de que reduzir o colesterol LDL (lipoproteína de baixa densidade), conhecido como “colesterol ruim”, traz benefícios importantes para a saúde. Altos níveis de LDL podem entupir as artérias, aumentando o risco de infartos e derrames.

Recentemente, pesquisadores da Faculdade de Medicina Schmidt da Universidade da Flórida abordaram essa questão em um editorial. Eles recomendam que os cardiologistas busquem níveis mais baixos de LDL, começando com as doses mais altas dos estatinas mais potentes, como rosuvastatina e atorvastatina. Essas medicações devem ser parte do tratamento, juntamente com mudanças de estilo de vida.

É importante adotar hábitos saudáveis, que são eficazes tanto com quanto sem medicamentos. Mudanças benéficas incluem parar de fumar, manter um peso saudável, controlar a pressão arterial, praticar exercícios regularmente e limitar o consumo de bebida alcoólica.

Apesar da eficácia das mudanças de estilo de vida, muitos adultos nos Estados Unidos, cerca de 40%, têm síndrome metabólica, que envolve fatores de risco como obesidade, hipertensão, problemas lipídicos e resistência à insulina. Esses indivíduos apresentam um risco cardiovascular equivalente ao de pessoas que já tiveram infartos ou derrames, mas muitos não são diagnosticados e recebem tratamento inadequado.

Os autores destacam que apenas 21% dos americanos atendem à quantidade mínima de atividades físicas recomendadas. Isso é uma pena, já que aumentar o nível de atividade é possível em qualquer idade, inclusive em pessoas mais velhas.

Com base em estudos robustos, os pesquisadores afirmam que as estatinas, especialmente rosuvastatina e atorvastatina, têm o maior número de evidências apoiando sua prescrição tanto para homens quanto para mulheres, incluindo os mais velhos.

Como muitos pacientes costumam continuar com a dose inicial de estatinas que recebem, os autores sugerem que cardiologistas comecem o tratamento com a dose máxima desses medicamentos e diminuam se necessário. Além disso, enfatizam que os benefícios de estatinas e aspirina são somados e podem até potencializar um ao outro. A aspirina deve ser recomendada para a maioria dos pacientes em prevenção secundária.

Em prevenção primária, as decisões devem ser feitas caso a caso. A aspirina deve ser considerada após as estatinas, principalmente se o risco de obstrução for superior ao risco de sangramentos graves, principalmente gastrointestinais.

Os cardiologistas devem ter em mente que outras medicações só devem ser adicionadas após atingir as doses máximas de estatinas. As estatinas possuem as evidências mais robustas entre as terapias medicamentosas para tratamento e prevenção de doenças cardiovasculares, segundo Charles H. Hennekens, um dos autores do estudo e professor de Medicina e Medicina Preventiva.

Os pesquisadores também fazem uma análise cautelosa sobre tratamentos adicionais como ezetimiba e evolocumabe, que são usados frequentemente de forma excessiva. Em um estudo, a combinação de ezetimiba com simvastatina trouxe resultados apenas ligeiramente melhores. Por outro lado, o estudo FOURIER demonstrou a eficácia do evolocumabe em casos de prevenção secundária apenas para pacientes com hipercolesterolemia familiar que já estavam utilizando doses máximas de estatinas.

Esses achados indicam que essas terapias podem ser reservadas apenas para pacientes de alto risco que não chegaram às metas de LDL apenas com estatinas.

O editorial ainda menciona os ácidos graxos ômega-3. Embora estudos anteriores tenham mostrado resultados positivos, os mais recentes não demonstraram benefícios significativos. Os autores acreditam que isso pode ser resultado do uso generalizado de estatinas. No estudo REDUCE-IT, uma forma pura de ácido eicosapentaenoico, o icosapent etila, foi a única que mostrou um benefício significativo quando associada a doses de alta potência de estatinas. No estudo, reduziram-se os eventos cardiovasculares graves em 25%, com um número de pacientes necessário para tratamento de 21.

Hennekens também lembrou uma frase famosa de Benjamin Franklin: “Um grama de prevenção equivale a um quilo de cura”. Isso reforça a importância de se prevenir doenças ao invés de tratá-las depois que já aconteceram.

O autor principal do editorial é John Dunn, estudante de medicina do terceiro ano na Faculdade de Medicina Schmidt, destacando a participação ativa dos novos profissionais na pesquisa e no debate sobre saúde cardiovascular.

Um bom controle do colesterol LDL é um passo essencial para a saúde do coração, e a combinação de medicamentos com mudanças no estilo de vida pode fazer toda a diferença na prevenção de doenças cardiovasculares. É vital que as pessoas busquem orientação médica e adotem hábitos saudáveis, protegendo assim a saúde do coração para o futuro.

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