Lançamento do Observatório de Saúde da População Negra
No dia 18 de novembro, foi lançado o Observatório de Saúde da População Negra, uma iniciativa que busca monitorar e avaliar políticas de saúde voltadas para essa população. O projeto é resultado de uma parceria entre a Fiocruz, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Ministério da Saúde. O objetivo é promover a equidade em saúde, garantindo acesso e qualidade no atendimento, especialmente em um contexto de desigualdades sociais.
O Observatório funcionará como uma tecnologia social e de comunicação, que irá acompanhar como a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra (PNSIPN) está sendo implementada em diferentes regiões do país. A ideia é que ele sirva como um recurso para gestores, pesquisadores, trabalhadores e usuários da saúde, além de movimentos sociais.
A cerimônia de lançamento contou com a presença de diversas lideranças. O presidente da Fiocruz, Mário Moreira, afirmou que o Observatório é um importante avanço no enfrentamento das desigualdades sociais no Brasil. Ele ressaltou que a falta de segurança e oportunidades afeta diretamente a população negra, especialmente no Rio de Janeiro, e destacou a contribuição do Observatório para a inclusão e diversidade nas políticas públicas.
Marco Menezes, diretor da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz, também participou do evento. Ele destacou que o Observatório foi construído de forma coletiva, reunindo instituições e movimentos sociais. Para ele, é uma ferramenta fundamental para fortalecer o controle social e promover o diálogo sobre saúde entre a população.
Marly Cruz, vice-presidente da Fiocruz e coordenadora do Observatório, lembrou que o mês de novembro é marcado por lutas contra o racismo e defendeu que o projeto deve ser um espaço de formação e mobilização. Ela apontou que a população negra enfrenta barreiras no acesso a diagnósticos e tratamentos, e que o Observatório busca reverter essa situação por meio de reparações e maior união social.
Márcia Alves, professora da UFRJ e também coordenadora do Observatório, destacou a importância da memória e da luta dos movimentos sociais na construção da equidade racial. Ela enfatizou que o projeto é um movimento contínuo e que a participação de diferentes esferas de governo é essencial para seu sucesso.
Outros participantes, como o pesquisador Carlos Machado, representando a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, reafirmaram o compromisso com a igualdade racial. Hilda Gomes, coordenadora da Cedipa/Fiocruz, disse que o Observatório é um passo importante para garantir a saúde da população negra.
Luis Eduardo Batista, consultor do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, e Denise de Oliveira, coordenadora do Termo de Execução Descentralizada, também destacaram a relevância dessa nova iniciativa para monitorar indicadores étnico-raciais e ajudar a moldar políticas justas.
A diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, ressaltou que o Observatório apoiará a formação de pesquisadores negros, enquanto a desigualdade na saúde bucal da população negra foi mencionada por Edson Lucena, do Ministério da Saúde.
Os debates do evento incluíram a importância do trabalho conjunto e o fortalecimento de políticas públicas que garantam a inclusão e a representatividade. O Observatório também foi definido como um mecanismo preventivo contra as desigualdades sociais, propondo inovações na área da saúde.
O site do Observatório funcionará como um painel de monitoramento da implementação da PNSIPN, coletando dados e diagnósticos que ajudam a orientar as políticas de saúde. Segundo Márcia Alves, os dados disponíveis até agora indicam uma grande necessidade de melhoria no atendimento à população negra.
Marly Cruz complementou que o site será um espaço dinâmico e colaborativo, acessível a todos, inclusive comunicadores populares, para que as informações cheguem às comunidades. Além de informações científicas, o site contará com a “Negrapedia”, um espaço para compartilhar conhecimento sobre saúde com base em diferentes saberes.
O projeto do Observatório inclui ainda “Mapas falantes”, representações que mostram como as pessoas percebem e se relacionam com seus territórios, ajudando a identificar tanto as potencialidades quanto as vulnerabilidades dessas regiões.
Durante o lançamento, outros observatórios também compartilharam suas experiências. O evento teve uma programação que se dedicou a debater os planos municipais para monitorar a PNSIPN e explorar como o Observatório pode contribuir para essa tarefa.
Com essa nova iniciativa, a expectativa é não apenas aprimorar o atendimento de saúde, mas também criar um espaço inclusivo onde todos possam ter voz e acesso às políticas que afetam suas vidas.