05/02/2026
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O impacto do excesso de buscas sobre saúde na internet na mente

Aumento da Cibercondria e o Uso de Inteligência Artificial na Saúde

Durante a pandemia de COVID-19, muitas pessoas passaram a utilizar a inteligência artificial, como o ChatGPT, para analisar os resultados de seus exames de saúde. Em conversas informais, ficou evidente que essa prática está se tornando comum. Um exemplo é uma mulher que mencionou usar essa ferramenta com frequência, revelando sua ansiedade em esperar pelos resultados médicos. No entanto, essa busca desenfreada por diagnósticos online pode ter consequências negativas e levar a um vício chamado cibercondria.

Cibercondria é um termo que surgiu no final dos anos 1990 e início dos anos 2000, em meio a discussões sobre os riscos da internet para a saúde. A preocupação aumentou com o tempo, especialmente quando pesquisadores destacaram como essa prática pode fomentar o autodiagnóstico e intensificar distúrbios emocionais. A enfermeira e doutoranda em Saúde Pública, Bárbara Badanta Romero, explica que a cibercondria cria um ciclo vicioso: a pessoa se sente mal e, em vez de buscar ajuda profissional, realiza pesquisas excessivas, o que aumenta sua angústia.

Durante a pandemia, a situação se agravou. A internet foi inundada com informações, muitas não verificadas, que levaram a um aumento na automedicação e na desconfiança em tratamentos convencionais, como vacinas. Isso resultou em um crescimento da cibercondria, onde as pessoas começaram a confiar mais em assistentes virtuais do que em profissionais de saúde, afetando seu bem-estar mental.

Romero alerta que quando as pessoas não conseguem discernir a credibilidade das informações online, mas sim se tornam dependentes delas, a angústia psicológica se intensifica.

Como Pesquisar Informações de Saúde de Forma Segura

Apesar dos riscos, a enfermeira afirma que a internet não deve ser considerada um inimigo. No entanto, é fundamental saber como utilizá-la de maneira responsável. Para isso, ela sugere alguns passos:

  1. Questionar as Respostas: Sempre duvidar de respostas prontas e milagrosas que prometem curas instantâneas.
  2. Verificar Fontes: Afirmar que as informações devem ser apoiadas por evidências científicas e provenientes de profissionais ou instituições respeitáveis.
  3. Atualização das Informações: Checar se o conteúdo foi atualizado recentemente.
  4. Motivos do Conteúdo: Analisar o propósito do site ou material. Desconfie de conteúdos que pareçam ter um interesse comercial.

Romero ressalta que, na era digital, o pensamento crítico é tão essencial quanto qualquer medicamento para navegar de forma segura nesse mar de informações disponíveis.

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