O Peregrino
Por Sally Dukes
Meu livro, drummer girl (lançamento em 17 de março de 2026), fala sobre minha busca por verdade. Muitas vezes, confundimos a jornada com a peregrinação. A jornada é planejada, com início e fim. O peregrino, por outro lado, é guiado por uma força interna, difícil de entender, mas irresistível.
Quando comecei a juntar meus textos, percebi que o chamado sempre foi o mesmo, mudando apenas o contexto. Desde criança, após uma experiência de quase-morte, busquei entender a luz clara no fim do túnel e o amor que senti naquele momento.
Fiz muitas descobertas ao longo do caminho. Em uma meditação, senti uma energia roxa entrar na sala, mesmo com a janela fechada. Reconheci a presença, algo do outro lado. Mas para onde isso me levaria, eu não sabia.
Minha primeira parada foi na Índia. Em Varanasi, muitos hindus vêm para morrer às margens do rio Ganges, um lugar sagrado. Aqui, a morte é vista como um passo em direção à salvação. Apesar do lamento das viúvas, a morte é celebrada neste espaço sagrado.
Desde criança, sempre sonhei em ver o Taj Mahal. Abria a enciclopédia para admirar aquela imagem. Ao chegar em Agra, fiquei em silêncio, deslumbrada. No dia da minha visita, vi um trabalhador derrubar uma peça de mármore. Corri para pegar, era um sinal, um presente dessa história de amor entre Shah Jahan e sua esposa Mumtaz Mahal.
Peregrinos muitas vezes seguem um impulso, mesmo sem saber o porquê. Quando meditei em um mosteiro na floresta, perto de Rangoon, fui motivada por um desejo profundo de reflexão e busca interior. Fiz 90 dias de silêncio e prática budista, tentando encontrar essa luz que buscava.
Assim que cheguei, me perguntei como e por que estava lá. Na primeira noite, sozinha e com fome, chorei em meu travesseiro improvisado. Dia após dia, fiz o que era necessário: meditar. Mas, mesmo assim, parecia que me afastava da verdade que buscava. A lição dessa solidão só viria depois.
Meu interesse em psicologia me levou a Zurique. Eu estava sozinha, lembrando do calor de casa. O impulso vinha de dentro, eu procurava cura e a verdade, a luz que buscava. Conforme o outono se tornava inverno, as peças começaram a se encaixar. A peregrina sabia o que fazer.
Quando você sai como peregrino, com confiança, volta mais sábio. Seguindo meu caminho, passei por Nova York, vivi no Havai, fiz pós-graduação na Califórnia, tive filhos e enfrentei um câncer. Essas experiências foram passos que me trouxeram de volta a mim mesma.
Minha última parada foi na Grécia. Enquanto o vento Meltemi soprava forte no meu jardim, as árvores cícadas dançavam. A luz e a sombra no meu pátio mostraram como a vida e a morte se entrelaçam. Uma não existe sem a outra, um aprendizado simples da natureza.
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Sally Dukes é autora publicada em revistas de terapia e já palestrou como educadora e psicóloga. Ela é uma empresária de sucesso e curadora dedicada, aprofundando sua carreira em psicologia e práticas meditativas. Suas pesquisas ampliaram sua compreensão sobre o que pode afetar a identidade de cada um.
Para ela, a verdadeira cura não vem de remédios. Ela acredita que vem ao ouvirmos nossas histórias e reconhecermos nossa humanidade. Sua narrativa, drummer girl (17 de março de 2026), expressa essa verdade. Conheça mais sobre o trabalho dela em seu site.