A One Health e o Impacto na Saúde Coletiva no Brasil
Um grupo de pesquisadores recentemente publicou um artigo que alerta sobre os possíveis retrocessos da implementação da abordagem One Health, ou “Saúde Única”, no contexto da saúde pública brasileira. Entre os autores, estão Lia Giraldo da Silva Augusto, Heleno Rodrigues Corrêa Filho, Carlos Fidelis Ponte, Anamaria Testa Tambellini, Marcelo Firpo Porto, Karen Friedrich e Ana Maria Costa.
O objetivo do ensaio é explorar a história da abordagem One Health, examinar seus impactos na política sanitária do país e ressaltar as implicações de uma visão de saúde que remete a décadas anteriores a 1970. O texto faz uma crítica ao fato de que essa abordagem, influenciada por acordos internacionais e interesses corporativos, contradiz o modelo de determinação social da saúde desenvolvido na América Latina.
Os autores destacam que a One Health limita-se a uma análise que envolve apenas a relação entre agente, hospedeiro e ambiente. Eles argumentam que essa perspectiva ignora questões complexas, como a exploração da natureza, a precarização do trabalho e a degradação de territórios, fatores que são essenciais para entender os determinantes da saúde hoje.
Além disso, o artigo critica a repetição de fórmulas adotadas em abordagens estrangeiras que desconsideram a saúde como um direito soberano, construído ao longo dos anos no Brasil. A One Health, segundo os autores, oferece soluções simplistas para problemas como zoonoses e epizootias, sem abordar as raízes da crise ecológica e das mudanças climáticas que o mundo enfrenta.
O ensaio propõe uma reflexão sobre como essas abordagens podem impactar as políticas de saúde no país, ressaltando a necessidade de uma visão mais integrada e contextualizada das questões de saúde pública, que leve em consideração as condições sociais e ambientais que afetam as comunidades brasileiras.