Crítica à Abordagem One Health em Relação à Saúde Coletiva no Brasil
Um grupo de sete pesquisadores publicou um ensaio na plataforma Scielo, abordando a implementação da metodologia conhecida como One Health, que significa “Uma Só Saúde”. Os autores, entre eles Lia Giraldo da Silva Augusto e Heleno Rodrigues Corrêa Filho, buscam trazer à luz questões históricas e consequências da abordagem na política de saúde do país.
O objetivo principal do estudo é relembrar a trajetória da One Health, examinar seus impactos na saúde pública brasileira e alertar sobre possíveis retrocessos no entendimento da saúde. Os pesquisadores destacam que as direções atuais podem estar levando a um entendimento da saúde que remete a décadas passadas, antes de 1970.
No resumo do artigo, os autores mencionam que, ao atender a acordos internacionais e interesses de corporações, o Brasil está promovendo a abordagem One Health. Essa proposta contrasta com o modelo de saúde coletiva que considera a determinação social da saúde, amplamente desenvolvido na América Latina.
Entre as críticas apresentadas estão:
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A abordagem One Health limita sua análise a três elementos: o agente, o hospedeiro e o ambiente. Os pesquisadores afirmam que isso ignora os fatores complexos que afetam a saúde, como a exploração da natureza, as condições de trabalho precárias e as desigualdades territoriais.
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Segundo eles, essa metodologia repete modelos do passado e ignora a saúde pública soberana que vem sendo construído no país.
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A One Health tenta responder de maneira funcional às questões relacionadas a doenças transmissíveis entre animais e humanos, mas sua simplicidade dificulta a compreensão das complexas interações entre a natureza e a sociedade, especialmente frente a desafios como a crise ecológica e as mudanças climáticas.
O ensaio representa um chamado à reflexão sobre a saúde pública e como diferentes abordagens podem impactar a forma como as políticas são formuladas e implementadas.