25/03/2026
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Paes redireciona recursos da Saúde para beneficiar prefeitos

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou na terça-feira (30) que abrirá mão de disputar a verba da Saúde que está sendo distribuída pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A decisão ocorre em um contexto em que a cidade enfrenta a pressão por mais recursos na área da saúde. Ao renunciar a essa parte do orçamento, Paes possibilita o repasse de R$ 120 milhões para os municípios fluminenses, movimento que busca fortalecer suas alianças políticas fora da capital, especialmente com prefeitos do interior, antes das próximas eleições.

Essa verba foi aprovada mediante um projeto de lei apresentado por Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj, antes de sua prisão em uma operação policial. Em um evento realizado no dia 19 de dezembro do ano passado, os R$ 120 milhões foram distribuídos entre os municípios. Contudo, a Procuradoria da Secretaria Municipal de Saúde do Rio entrou com um recurso judicial para garantir que a cidade recebesse uma parte proporcional dos recursos, considerando sua grande população e a alta demanda pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Esse pedido resultou na suspensão dos repasses para todos os municípios, gerando descontentamento entre prefeitos que dependem desse dinheiro para manter serviços essenciais de saúde.

Diante da reação dos prefeitos do interior, Paes decidiu desistir da ação judicial. Em uma postagem nas redes sociais, o prefeito comunicou que o Rio tinha condições de lidar financeiramente com a perda e que prejudicar outros municípios não era a solução. Ele destacou que, embora a verba fosse importante para a capital, era mais urgente garantir recursos para as cidades menores.

Nos bastidores, analistas políticos consideram que essa mudança de postura de Paes vai além de uma questão técnica. Como pré-candidato ao governo do estado, ele busca evitar conflitos com os prefeitos e fortalecer seus laços políticos, uma estratégia que pode se revelar valiosa em um cenário eleitoral competitivo onde os votos no interior são decisivos.

A abdicação dessa verba, porém, levanta questões sobre a real situação da saúde pública no Rio. Embora o município possua a maior rede de saúde do estado, a capital enfrenta uma realidade de falta de recursos e longo tempo de espera por atendimento. Entretanto, Paes acredita que os ganhos políticos resultantes desse gesto de solidariedade e aliança compensarão a falta de recursos financeiros.

Com a retirada da ação, o governo estadual pode retomar imediatamente o repasse dos R$ 120 milhões para os municípios. Os prefeitos do interior receberam a notícia com alívio, considerando-a uma solução necessária para as dificuldades financeiras enfrentadas no setor de saúde, especialmente no final do ano.

Cerca de uma hora após o anúncio, Paes compartilhou a documentação que formaliza a desistência da ação, encerrando o impasse e demonstrando que, neste momento, a política prevaleceu sobre questões financeiras da capital.

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