No final de novembro de 2025, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de um lote de vinagre de maçã da marca Castelo em todo o país. A medida foi necessária devido à presença de dióxido de enxofre em níveis diferentes dos informados no rótulo do produto. Essa substância representa um risco maior para consumidores sensíveis, especialmente aqueles com histórico de alergias ou asma. O ocorrido destaca a importância de uma rotulagem correta e de uma fiscalização rigorosa sobre aditivos químicos em alimentos.
Esse incidente gerou discussões sobre os riscos associados a conservantes como os parabenos e o dióxido de enxofre. Ambos são frequentemente usados na indústria, mas suas implicações para a saúde têm sido alvo de investigação.
O que são parabenos?
Os parabenos são compostos químicos usados como conservantes, comuns em cosméticos, medicamentos e, em alguns casos, alimentos. Eles ajudam a evitar o crescimento de fungos e bactérias, prolongando a validade dos produtos.
Possíveis riscos dos parabenos:
- Alguns estudos indicam que os parabenos podem atuar como disruptores endócrinos, imitando o hormônio estrogênio e interferindo no equilíbrio hormonal do corpo.
- Há investigações sobre uma possível relação entre esses compostos e o câncer.
- Apesar das preocupações, órgãos reguladores, como a European Food Safety Authority (EFSA) e a FDA, consideram seguros o uso de parabenos em concentrações baixas, mas recomendam monitoramento constante.
- No Brasil, a Anvisa possui normas rigorosas para o uso de parabenos, estabelecendo limites de até 0,4% de concentração individual e 0,8% no total do produto.
O que é o dióxido de enxofre e seus riscos?
O dióxido de enxofre (SO₂) é um gás reativo, que se forma em ambientes naturais, como vulcões, e é também utilizado na indústria. Na fabricação de alimentos, especialmente vinhos, sucos e vinagres, seu uso é frequentemente associado a propriedades antioxidantes e antimicrobianas.
Possíveis riscos do dióxido de enxofre:
- A Anvisa classifica o dióxido de enxofre como um aditivo com potencial alergênico. Sua presença em alimentos pode causar reações adversas, especialmente em pessoas com asma ou alergias.
- O consumo excessivo pode provocar irritações nas vias respiratórias e desconforto digestivo.
- A legislação nacional permite o uso da substância, mas exige que ela esteja claramente indicada no rótulo.
- A Cleveland Clinic aponta que entre 4% e 5% das pessoas com asma podem ter alguma sensibilidade ao dióxido de enxofre.
Estudos e evidências sobre conservantes:
A preocupação sobre a quantidade de conservantes nos produtos alimentícios é justificada por diversos estudos que examinam seus potenciais riscos. Um estudo recente avaliou a exposição prolongada a parabenos, indicando associações com alterações hormonais e sugerindo a necessidade de investigações adicionais sobre seus efeitos cumulativos.
Em relação ao dióxido de enxofre, um monitoramento realizado entre 2016 e 2022 em amostras de cogumelos em conserva encontrou resíduos da substância em níveis superiores aos permitidos em alguns casos. Esse estudo reforça a importância de uma rotulagem adequada, visto que a exposição inadvertida pode desencadear reações adversas em pessoas sensíveis.
Essas questões ressaltam a relevância de manter um controle rigoroso sobre os aditivos químicos em alimentos e a necessidade de informar adequadamente os consumidores.