05/02/2026
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Pergunta mágica ajuda crianças a desenvolver inteligência emocional

Quando uma criança fica chateada, frustrada ou tem uma birra, muitos pais costumam perguntar: “O que houve?”. Essa pergunta é feita com boas intenções, mas pode não ser tão eficaz assim.

Às vezes, essa abordagem pode aumentar a tensão e fazer a criança se fechar ainda mais. A psicóloga Reem Raouda, que é especialista em parentalidade consciente, traz uma visão interessante sobre isso.

De acordo com Raouda, a inteligência emocional das crianças não se desenvolve quando elas são pressionadas a explicar sentimentos que ainda não conseguem entender. O que realmente ajuda é quando elas se sentem seguras para expressar o que sentem no seu próprio tempo.

Após observar mais de 200 crianças, a especialista sugere uma pergunta mais simples e eficaz: “Conte-me o que está sendo difícil para você agora.”

Essa mudança, embora pareça pequena, tem um efeito muito maior. Essa forma de perguntar se conecta melhor com o jeito que as crianças vivem e sentem suas emoções, além de criar um espaço para ouvir sem pressa ou críticas.

Por que essa pergunta funciona?

1. Diminui a reação defensiva

Quando as crianças estão muito emocionadas, seu cérebro fica em alerta. Perguntas diretas como “o que aconteceu?” podem parecer acusações, mesmo que não sejam. Mas a palavra “difícil” transmite acolhimento e empatia.

Dizer que algo é “difícil” indica que a criança não está errada por se sentir assim, e que não precisa se justificar. Isso diminui as chances de resistência, silêncio ou explosões emocionais.

2. Estimula a linguagem emocional de maneira natural

As crianças pequenas, muitas vezes, têm dificuldade em nomear emoções como raiva ou tristeza. Ao pedir que falem sobre “o que está difícil”, os pais permitem que elas descrevam suas situações do jeito delas.

Esse processo gradual ajuda a aumentar o vocabulário emocional, sem a pressão de se corrigir excessivamente.

3. Cria um ambiente de segurança emocional

Antes de tentar corrigir ou resolver o problema, a frase transmite uma mensagem essencial: “Estou aqui para ouvir o que você sente.” Essa comunicação é importante para que a criança se sinta à vontade para se abrir.

Ambientes onde as emoções são recebidas com calma e compreensão ajudam a construir confiança.

4. Proporciona sensação de controle

Diferente de uma pergunta que exige uma resposta imediata, essa abordagem convida a uma reflexão. A criança decide o quanto quer compartilhar e quando está pronta.

Essa sensação de controle é fundamental para ajudar a construir a autorregulação emocional e a autoconfiança, habilidades essenciais para enfrentar a vida.

5. Ajuda a acalmar o sistema nervoso

Quando a criança entende que não está sendo pressionada ou ameaçada, seu corpo começa a relaxar. Essa sensação de segurança emocional ajuda a acalmar a agitação, o que favorece a clareza de pensamento e fala.

Essa frase é muito útil, principalmente, quando o comportamento da criança parece exagerado ou confuso.

6. Normaliza emoções cotidianas

Ao se concentrar em “o que está difícil” ao invés de tentar resolver o problema rapidamente, os pais mostram que sentir emoções faz parte da vida.

A criança aprende que emoções podem ser vivenciadas, compreendidas e superadas no seu tempo, sem necessidade de serem reprimidas. Isso é um dos pilares da saúde emocional.

7. Ensina pelo exemplo

A inteligência emocional não se aprende só ouvindo discursos, mas na prática. Quando os adultos reagem com curiosidade e calma, eles mostram, na real, como lidar com emoções intensas de forma equilibrada.

Aos poucos, a criança internaliza esse modelo e começa a aplicar em sua própria vida. Para Raouda, o foco dos pais não deve ser eliminar emoções difíceis, mas sim criar um ambiente seguro para que elas possam ser expressas.

Ajustar a linguagem pode parecer simples, mas isso muda bastante a dinâmica emocional do relacionamento. Com o tempo, a criança passa a perceber que seus sentimentos são importantes e merecem ser escutados e respeitados.

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