As operadoras de planos de saúde do país reportaram um lucro líquido de R$ 4,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025. Este valor é o mais alto já registrado para o período de julho a setembro, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar. Em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento foi de 64,4%, já que em 2024 o lucro ficou em R$ 2,9 bilhões.
O lucro líquido é o resultado da soma dos desempenhos financeiros, operacionais e patrimoniais das empresas, considerando também os impostos. Quando analisamos apenas o resultado operacional, que se refere à diferença entre as receitas geradas pelas mensalidades e as despesas com atendimento, o lucro das operadoras foi de R$ 2 bilhões no terceiro trimestre. Esse valor é o maior desde 2020, quando durante a pandemia o lucro operacional foi de R$ 4,6 bilhões.
Em relação ao resultado financeiro, as operadoras alcançaram R$ 4,2 bilhões neste trimestre, o que é considerado um recorde para o período sob análise, marcado por taxas de juros elevadas. Esse resultado inclui ganhos provenientes de aplicações financeiras.
Apesar desses números positivos, Jorge Aquino, diretor de normas e habilitação das operadoras da ANS, destacou que existem 7,5 milhões de beneficiários em operadoras que estão sob monitoramento especial devido a questões financeiras, como regimes de direção fiscal e programas de adequação.
Acumulando os resultados do ano até agora, os planos de saúde apresentaram um lucro líquido de R$ 17,2 bilhões, superando a marca anterior de R$ 15 bilhões registrada nos primeiros nove meses de 2020. O lucro operacional acumulado foi de R$ 8,3 bilhões, um aumento significativo em relação a 2024, quando foi de R$ 3 bilhões. Já o lucro financeiro somou R$ 11 bilhões até setembro, o maior valor na série histórica que se iniciou em 2018.
O setor de planos de saúde tem enfrentado críticas constantes de consumidores, que relatam problemas como cancelamentos de contratos e aumentos nas mensalidades. As operadoras, por outro lado, reclamam dos altos custos dos serviços de saúde, que são impactados pela incorporação de novas tecnologias e pelo envelhecimento da população, que aumenta a demanda por atendimento.
Durante uma entrevista, Wadih Damous, o novo diretor-presidente da ANS, expressou seu desejo de entender melhor as queixas do setor, apesar de os lucros serem robustos. Ele mencionou a necessidade de uma regulação mais equilibrada, que considere tanto a saúde financeira das operadoras quanto as necessidades dos consumidores.
Se considerarmos também os planos odontológicos e as administradoras de benefícios, o lucro líquido totalizou R$ 5 bilhões no terceiro trimestre, e R$ 17,9 bilhões no acumulado do ano até setembro de 2025. Esses são também os maiores valores da série histórica para ambos os períodos.
A ANS informa que, entre janeiro e setembro de 2025, o setor teve receitas de aproximadamente R$ 287,3 bilhões, resultando em um lucro líquido que representa cerca de 6,2% desse total. Em termos simples, para cada R$ 100 recebidos, as operadoras conseguiram um lucro de cerca de R$ 6,20. As administradoras de benefícios atuam como intermediárias, mas não gerenciam diretamente os planos de saúde.