Os planos de saúde empresariais no país são responsáveis por mais de 73% dos vínculos com serviços médico-hospitalares, alcançando o maior índice já registrado desde 2000, de acordo com dados recentes. Entre setembro de 2000 e outubro de 2025, a quantidade de pessoas beneficiadas por esses planos saltou de 7,1 milhões para 38,7 milhões, mais de cinco vezes mais. Essas informações fazem parte da Nota de Acompanhamento de Beneficiários, que mostra a importância dos planos coletivos empresariais na saúde suplementar.
O estudo revela que, ao longo de 25 anos, os planos de saúde coletivos se firmaram como a principal base do sistema privado de saúde no país, acompanhando a evolução do emprego e da economia neste período.
José Cechin, superintendente executivo da instituição responsável pela pesquisa, explica que os planos empresariais têm um papel crucial na saúde suplementar. “Eles crescem em consonância com o mercado de trabalho e refletem a economia do país, tornando-se a espinha dorsal da cobertura privada de saúde”, afirma.
A análise também destaca a distribuição etária dos beneficiários. A maioria, 67%, está na faixa entre 20 e 59 anos, que corresponde à população economicamente ativa. Ao mesmo tempo, a proporção de jovens de 0 a 19 anos diminuiu, enquanto o número de pessoas com 60 anos ou mais aumentou, refletindo o envelhecimento da população. Em termos de gênero, a distribuição se manteve estável, com 51% de mulheres e 49% de homens.
São Paulo lidera a distribuição dos planos empresariais, concentrando cerca de 37% dos vínculos. Minas Gerais, Rio de Janeiro e os estados da região Sul também apresentam números significativos. Goiás se destacou por um aumento considerável em sua participação ao longo do tempo.
Cechin ressalta que a organização territorial dos planos de saúde empresariais está alinhada com a estrutura econômica do país, refletindo fatores como formalização do trabalho, níveis de renda e geração de emprego.
Outro aspecto importante é a melhoria na qualidade da informação regulatória e na segmentação dos serviços. Atualmente, 91% dos beneficiários de planos empresariais possuem cobertura hospitalar e ambulatorial. A categoria “não informada”, que representava mais da metade dos registros no começo dos anos 2000, praticamente desapareceu. Isso indica que o setor está mais maduro e apto a discutir questões sobre sustentabilidade e inovação.
Além disso, os dados mais recentes mostram que o país atingiu 53,2 milhões de beneficiários de planos de saúde, um aumento de 2,7% no último ano, resultando em mais de 1,4 milhão de novos vínculos. Destes, 83,9% têm planos coletivos, dos quais 86,9% são empresariais. A principal contribuição para essa expansão veio dos adultos em idade produtiva e de estados como São Paulo, que sozinhos adicionaram 587,4 mil novos beneficiários no período.
O relatório também revela uma forte relação entre o emprego formal e o crescimento dos planos de saúde coletivos. Entre outubro de 2024 e outubro de 2025, o número de trabalhadores com carteiras assinadas passou de 47,6 milhões para 49 milhões, um aumento de 2,8%. Esse movimento coincide com um crescimento de 4,4% no número de beneficiários de planos médicos hospitalares empresariais nesse mesmo intervalo.