24/02/2026
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Pressão aumenta sobre Hegseth em meio a escândalos no Pentágono

Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, enfrenta uma crise significativa em sua gestão, marcada por acusações de crimes de guerra no Caribe e um relatório do inspetor geral que o acusa de manusear informações militares classificadas de maneira inadequada. Apesar das pressões para sua demissão, tanto de legisladores democratas quanto republicanos, Hegseth não demonstra intenção de deixar o cargo e ainda conta com o apoio do ex-presidente Donald Trump.

As acusações surgiram em um momento crítico, envolvendo operações da administração Trump contra suspeitos de tráfico de drogas no Caribe, que resultaram na morte de pelo menos 87 pessoas em 22 ataques desde setembro. Durante uma reunião do gabinete, Hegseth admitiu que agiu sob grande pressão durante uma operação em que dois homens sobreviveram a um ataque em 2 de setembro, apenas para serem atingidos novamente em um segundo ataque, uma prática conhecida como “double-tap”. Essa situação gerou ainda mais críticas e pedidos de demissão por parte de legisladores, como a senadora Patty Murray, que argumentou que Hegseth está cada vez mais provando ser inapto para o cargo.

A New Democrat Coalition, uma facção do Partido Democrata composta por 116 membros, também se manifestou, descrevendo Hegseth como “incompetente” e uma ameaça à segurança dos militares. A liderança da coalizão criticou o secretário por desviar a responsabilidade e mentir sobre as operações.

Além disso, a eficácia das operações no Caribe foi questionada, especialmente por especialistas em políticas antidrogas. Jake Braun, que integrou a equipe do governo Biden, destacou que o foco deveria ser as rotas de tráfico no México, já que a maior parte do fentanil entra nos Estados Unidos por terra, e não pelos barcos no Caribe.

Ativistas de direitos civis, como Emily Tripp, da Airwars, exigiram maior transparência sobre as operações, pedindo esclarecimentos sobre a abordagem adotada em relação aos sobreviventes de ataques. A falta de clareza nas comunicações do Pentágono também levantou questões sobre a cadeia de comando e a natureza das decisões tomadas durante as operações.

Recentemente, um relatório do inspetor geral determinou que Hegseth violou políticas do Pentágono ao compartilhar detalhes sensíveis sobre ataques aéreos no Iémen por meio do aplicativo Signal. Essas informações, consideradas secretas, foram enviadas com algumas horas de antecedência a ataques, o que configurou um risco à segurança operacional e potencialmente expôs pilotos americanos a perigos.

Embora a maioria dos pedidos de demissão venha do Partido Democrata, alguns republicanos também expressaram suas preocupações. O senador Rand Paul sugeriu que Hegseth pode ter mentido sobre o ataque de setembro, enquanto o congressista Don Bacon chegou a afirmar que já havia “visto o suficiente” para concluir que Hegseth não é a pessoa certa para o comando do Pentágono.

A administração Trump defende que as operações têm como alvo organizações terroristas que atuam no tráfico de drogas, embora careçam de evidências públicas que sustentem essas afirmações. Durante uma reunião recente, Hegseth reafirmou sua posição, afirmando que a campanha militar contra barcos de drogas continuará, embora tenha reconhecido dificuldades em encontrar alvos.

Apesar dos desafios enfrentados e das crescentes críticas, Hegseth mantém o apoio do presidente Trump e sua saída do cargo parece improvável, especialmente com o Senado sob controle republicano.

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