18/03/2026
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Profissionais do SUS serão capacitados em cuidados paliativos

Profissionais que atuam na atenção primária à saúde receberão capacitação para oferecer cuidados paliativos, visando melhorar a qualidade de vida de pacientes com doenças graves. O novo ciclo do Projeto Cuidados Paliativos terá início em 2026 e abrangerá 20 estados do país. Essa iniciativa é fruto de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Hospital Sírio-Libanês, através do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS).

Em uma entrevista, Maria Perez, coordenadora médica do projeto, destacou que já houve o primeiro encontro com secretarias estaduais de Saúde. Ela ressaltou que, apesar da ideia comum de que cuidados paliativos são apenas para pacientes terminais, isso não é verdade. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a abordagem se concentra na qualidade de vida, abordando não só os sintomas físicos, mas também aspectos emocionais, sociais e espirituais dos pacientes e de suas famílias. Esses cuidados devem ser integrados ao tratamento da doença base do paciente.

Maria Perez enfatizou que a abordagem de cuidados paliativos não requer necessariamente um especialista, mas sim uma mudança de perspectiva entre os profissionais de saúde. Eles devem considerar a qualidade de vida desde o momento do diagnóstico, apoiando os pacientes em todas as fases da doença, não apenas no fim da vida.

O projeto, que começou a ser aplicado no Hospital Sírio-Libanês em 2020, já capacitou mais de 10 mil profissionais de saúde do SUS e identificou mais de 12 mil pacientes que necessitam de cuidados paliativos. A iniciativa busca não apenas formar equipes, mas também implementar novos protocolos para atender essa demanda.

Com a criação da Política Nacional de Cuidados Paliativos em 2024, o programa foi reformulado para abranger uma rede mais ampla de serviços de saúde, incluindo unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e serviços de Atendimento Médico de Urgência (Samus). Até o momento, o projeto contou com a participação de mais de 150 serviços de saúde em 19 estados e no Distrito Federal. Embora inicialmente tenha havido resistência por parte das equipes, houve uma mudança de perspectiva ao entender que cuidadores de emergência também lidam com pacientes em sofrimento.

Maria Perez destacou a importância do trabalho em conjunto com as secretarias de Saúde para fortalecer a rede de atendimento, buscando garantir a continuidade dos cuidados e uma assistência de qualidade.

Uma das primeiras implementações do projeto ocorreu no Samu 192 da Regional do Alto Vale do Paraíba, em São Paulo. A enfermeira e supervisora Rita de Cássia Duarte relatou que o projeto trouxe melhorias significativas para o serviço, ajudando os profissionais a compreenderem a importância dos cuidados paliativos, que antes eram pouco explorados na área de urgência e emergência.

A especialista Maria Perez evidenciou o progresso no entendimento sobre cuidados paliativos no país, ressaltando que, atualmente, profissionais de saúde estão mais informados sobre o tema. O treinamento foca na identificação de pacientes que precisam desses cuidados e na conversa com os pacientes e suas famílias, com o objetivo de entender suas necessidades. Isso permite a elaboração de planos de cuidados personalizados, que consideram a história de vida e os valores de cada paciente.

Segundo a OMS, os cuidados paliativos visam reduzir o sofrimento de pacientes com doenças que ameaçam a vida, buscando oferecer qualidade de vida, mesmo nos momentos finais. Estima-se que 73 milhões de pessoas no mundo necessitam de cuidados paliativos anualmente, e cerca de 20 milhões morrem sem acesso a esse tipo de assistência.

Em 2023, o projeto resultou na publicação de um Manual de Cuidados Paliativos, que se tornou referência na implementação da nova política no SUS.

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