A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais apresentou ao Tribunal de Contas do Estado um novo programa voltado para a saúde do povo indígena Maxakali, que vive na região Nordeste do estado. O projeto envolve um investimento de mais de R$ 5 milhões nos próximos anos, com o objetivo de melhorar o acesso aos serviços de saúde, respeitar as particularidades culturais da etnia e promover melhores condições de vida para a população indígena.
As ações previstas no programa incluem a construção de uma Unidade Básica de Saúde adaptada às necessidades e cultura Maxakali. Além disso, haverá a compra de veículos que facilitarão o atendimento nas aldeias, aquisição de equipamentos médicos e a contratação de profissionais como ginecologistas, pediatras, psicólogos e nutricionistas. Também está no plano a criação de notas técnicas para regulamentar o atendimento aos povos indígenas, levando em conta suas características sociais, culturais e territoriais.
O presidente do Tribunal de Contas, Durval Ângelo, ressaltou a importância desse programa específico para os Maxakalis. Ele destacou que a iniciativa pode beneficiar cerca de 2,7 mil indígenas e é um passo significativo para promover boas políticas públicas.
O secretário de Saúde, Fábio Baccheretti, explicou que a escolha dos Maxakalis como foco inicial do projeto se deve aos desafios que a etnia enfrenta. Ele mencionou altos índices de mortalidade materno-infantil e a ocorrência de doenças, como diarreia em larga escala e desnutrição infantil, que são menos comuns em áreas urbanas. Baccheretti também enfatizou que o Tribunal de Contas será fundamental para garantir a efetividade das políticas e a continuidade das ações ao longo do tempo.
Camila Castro, subsecretária de Redes de Atenção à Saúde, detalhou os investimentos e apresentou um panorama das políticas de saúde já em vigor e das novas iniciativas para a saúde indígena no Nordeste de Minas. O foco é criar uma rede de atendimento mais integrada e sensível às necessidades culturais dos povos originários.
O evento de apresentação contou com a presença de autoridades locais, incluindo o prefeito de Bertópolis, Ildásio Ferreira, e vereadores que representam a etnia Maxakali. Também estiveram presentes lideranças indígenas de outras regiões e representantes do Tribunal Regional do Trabalho, destacando a importância da colaboração entre diferentes esferas do governo e da sociedade na implementação dessas políticas.