Em Jacarta, capital da Indonésia, a venda de carne de cachorro e gato foi oficialmente proibida desde os últimos dias. Essa decisão é parte de um decreto assinado pelo governador Pramono Anung e inclui um período de seis meses para adaptação às novas regras. Com essa mudança, Jacarta se junta a outros lugares onde o consumo desse tipo de carne já é restrito, refletindo uma crescente oposição a essa prática entre a população.
Alfindo Hutagaol, um morador de 36 anos, expressou sua desaprovação à proibição enquanto degustava carne de cachorro grelhada. Ele defende que a tradição de consumir essa carne não deve ser eliminada de forma abrupta, citando crenças de que o prato pode trazer benefícios à saúde, como aumentar o número de plaquetas no sangue e ajudar no combate à dengue.
Cerca de 9,5 mil cachorros em situação de rua eram levados mensalmente a Jacarta para serem abatidos em 2022. Os animais frequentemente provinham de Java Ocidental, uma região onde a raiva é prevalente. Um levantamento recente indicou que 93% da população indonésia é contra o comércio de carne de cachorro, em parte motivada pelo fato de que Jacarta não registrou casos da doença desde 2004.
Apesar de a legislação nacional não proibir diretamente o consumo, uma diretriz de 2018 classifica esses animais como não apropriados para alimentação. Em outras regiões, como Semarang, o comércio já foi proibido e ações como a apreensão de caminhões carregando cachorros para abate se tornaram comuns.
Após a proibição em Jacarta, comerciantes estão cada vez mais cautelosos, vendendo apenas para clientes de confiança, o que elevou os preços. Restaurantes que costumavam oferecer pratos com carne de cachorro agora evitam o tema e os proprietários se abstêm de comentar sobre o comércio. Para muitos, a dificuldade de encontrar a carne se assemelha a “procurar droga”. Alfindo teme que a proibição possa levar à captura de cachorros de rua, caso as pessoas procurem alternativas para continuar a consumir carne.
Ainda não está claro o que ocorrerá com os animais que deixarão de ser vendidos nas próximas semanas. O contexto sociocultural e religioso da Indonésia, onde a maioria é muçulmana e a prática de consumo de carne de cachorro é controversa, torna essa mudança uma questão complexa e delicada no debate público.