Debate Sobre Saúde Indígena na COP30 em Belém
A saúde indígena foi um dos temas destacados na programação da Aldeia COP, durante a Conferência do Clima COP30, realizada em Belém, no Pará. No encerramento do evento, no dia 21, ocorreu o painel denominado “Hämy e AAB: Mobilidade sustentável e saúde indígena na Amazônia brasileira”. Este painel apresentou um projeto que busca oferecer atendimento de saúde de qualidade às comunidades indígenas, respeitando seus costumes e tradições.
A Aldeia COP foi um espaço criado a partir da colaboração do Ministério dos Povos Indígenas, da Universidade Federal do Pará e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. O objetivo foi reunir representantes de diferentes povos indígenas de várias regiões do país. O evento foi realizado na Escola de Aplicação da UFPA.
O projeto Hämy, que teve início no Maranhão, visa promover ações de prevenção e diagnóstico de saúde nas comunidades indígenas, integrando saberes tradicionais de cura e espiritualidade. Lourenço Krikati, uma das lideranças do projeto, enfatizou a importância da participação indígena em todas as etapas, desde a administração até o atendimento médico.
A palavra “Hämy”, que significa “cuidar” na língua indígena, reflete o objetivo do projeto: garantir que os povos indígenas recebam cuidados médicos adequados, especialmente em localidades remotas onde o acesso a hospitais é limitado. Para isso, o projeto planeja utilizar unidades móveis de saúde que possam se deslocar até essas comunidades.
Os atendimentos são personalizados, considerando a realidade de cada comunidade e respeitando suas práticas. O projeto conta com representantes indígenas que ajudam a facilitar a comunicação e a compreensão das informações de saúde. Lana Guajajara, assistente social envolvida no projeto, explicou que as palestras são realizadas em línguas locais para melhorar a compreensão dos temas relacionados à saúde, como câncer e doenças mentais, que geralmente são difíceis de abordar.
Um dos principais desafios enfrentados pelo projeto é a resistência à assistência médica, pois muitos indígenas hesitam em realizar exames. Para superar essa barreira, uma das estratégias é capacitar profissionais da saúde que sejam indígenas, que possam se comunicar melhor com a população. Krikati destacou a importância dessa abordagem, afirmando que a confiança é essencial para o sucesso do atendimento.
Com o projeto, a expectativa é que o diagnóstico e o tratamento sejam feitos de maneira mais rápida, visto que muitas vezes o atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ou outras instituições pode ser demorado. Krikati relatou um caso trágico de uma indígena de Amarante que realizou exames sem receber os resultados e, consequentemente, não recebeu o tratamento necessário a tempo.
O projeto tem a ambição de se expandir para outros estados e até países da América Latina, mas para isso, será necessário conquistar mais recursos e investimentos. Krikati ressaltou que o apoio do governo e das lideranças comunitárias é fundamental para que a iniciativa consiga se manter e operar efetivamente.
Além disso, o projeto Hämy é uma parceria entre o Instituto Nacional de Cuidados Oncológicos e Humanização e a Associação Automobilística do Brasil, com suporte da Federação Internacional do Automóvel.