02/04/2026
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Protesto em BH reúne manifestantes contra PL da dosimetria

Dezenas de pessoas se reuniram na manhã deste domingo (14 de dezembro) na Praça Raul Soares, no Centro de Belo Horizonte, para protestar contra o Projeto de Lei da Dosimetria. Esse projeto, aprovado recentemente pela Câmara dos Deputados, pode reduzir as penas de condenados por crimes como os ataques ocorridos em 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro.

O protesto foi parte de uma mobilização nacional, organizada por movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de esquerda. Embora o foco inicial fosse o PL da Dosimetria, o ato se ampliou para incluir uma defesa geral da democracia e uma série de reivindicações sociais.

A concentração começou por volta das 9h e, às 11h30, os manifestantes marcharam até a Praça da Estação. Durante o caminho, eles exibiam faixas e cartazes com mensagens como “Sem anistia”, “Não à impunidade” e “Defender a democracia é dever do povo”. As críticas se estenderam também à privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a suspensão do mandato do deputado federal Glauber Braga, do PSOL, que está afastado por seis meses. Além disso, os manifestantes pediram a aprovação de uma redução na jornada de trabalho, como o fim da escala 6×1.

De acordo com Denise Romano, coordenadora-geral do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), o ato é uma resposta a uma tentativa de atenuar as punições para aqueles envolvidos na tentativa de golpe. “Estamos aqui para dizer que o Brasil não aceita esse PL da Dosimetria, não aceita a redução de penas para quem tentou dar um golpe de Estado”, declarou.

Denise também salientou a diversidade do movimento, que incluiu manifestações culturais e artísticas. “É um ato que combina política e cultura, envolvendo todas as pessoas de maneira inclusiva e pacífica”, ressaltou.

Entre os manifestantes estava o professor Fábio Barbosa Silva, de 57 anos, que considera o projeto um retrocesso no combate aos crimes contra a democracia. Ele enfatizou que a proposta de redução de penas pode ter implicações sérias no sistema penal. “Se isso passar, vai liberar muitos outros criminosos. Precisamos endurecer as penas, não afrouxar”, disse.

O médico Benjamin Godinho, também de 57 anos, compartilhou da mesma preocupação e afirmou que o PL da Dosimetria representa uma tentativa de anistia disfarçada. “Não podemos permitir isso”, afirmou.

Jairo Nogueira, presidente da CUT Minas, criticou a atuação do Congresso Nacional, que considera distante das necessidades do povo. “Eles votam projetos como o da dosimetria à noite, enquanto pautas importantes para a população avançam lentamente”, apontou.

O Projeto de Lei da Dosimetria altera o cálculo das penas para crimes relacionados a golpes de Estado e a violação do Estado Democrático de Direito. Atualmente, o Supremo Tribunal Federal (STF) considera que essas práticas podem ocorrer simultaneamente, permitindo a acumulação das penas. Com a nova proposta, as penas não seriam mais acumuladas se cometidas no mesmo contexto, reduzindo significativamente o tempo de prisão.

O projeto, que foi relatado pelo deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), foi aprovado por 291 votos a favor, 148 contra e uma abstenção. A proposta agora será analisada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Se aprovada, seguirá para o plenário com a possibilidade de votação ainda este ano. Caso o projeto seja sancionado, a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, que é de 27 anos e três meses, poderia ser reduzida para pouco mais de dois anos, devido à nova forma de cálculo das penas.

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