No último sábado, 20 de novembro, moradores dos distritos de Lumiar e São Pedro da Serra, localizados em Nova Friburgo, na Região Serrana do Rio de Janeiro, realizaram uma manifestação pacífica no centro da cidade. O protesto tinha como principal objetivo homenagear Isadora, uma menina de apenas oito anos que faleceu dias antes, em decorrência de dificuldades no atendimento médico.
Segundo relatos nas redes sociais, Isadora apresentou sinais de pneumonia e recebeu atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). No entanto, seu estado se agravou rapidamente, e a dificuldade para chegar a um hospital mais próximo contribuiu para sua morte. As comunidades de Lumiar e São Pedro da Serra estão a mais de 30 quilômetros da unidade de saúde mais próxima, dificultando o acesso em situações de emergência, conforme afirmaram os moradores.
Os manifestantes se reuniram em frente ao Instituto de Educação de Nova Friburgo (Ienf), na praça Dermeval Barbosa Moreira, com faixas e cartazes, além de um carro de som, onde reivindicaram melhorias na saúde da região. Entre suas principais exigências estavam a abertura imediata da Unidade de Urgência e Emergência de Lumiar, que deveria ter sido entregue em outubro, e a disponibilização de uma ambulância fixa para os distritos.
Após a concentração no Ienf, os manifestantes seguiram em direção à sede da prefeitura, onde colocaram uma grande faixa preta pedindo a ambulância e fixaram cartazes com suas reivindicações nas portas e paredes do local.
Klaus Graban, membro da comissão que organizou o ato, ressaltou que Lumiar e São Pedro da Serra são áreas turísticas, mas não recebem a atenção devida do poder público. Ele mencionou que a distância até o hospital Raul Sertã aumenta as dificuldades enfrentadas pela população local. “Estamos cada vez mais distantes do poder público”, afirmou Graban, ressaltando que não houve retorno do Executivo às solicitações feitas durante o protesto.
Ele também comentou sobre a situação das ambulâncias na área, afirmando que desde agosto do ano passado não há uma ambulância em funcionamento nas comunidades e que mais de 80% das emergências reportadas não tinham o atendimento devido. Além disso, a obra da Unidade de Urgência e Emergência é aguardada há muito tempo, tendo sido prometida sem um cronograma claro por parte da prefeitura.
Durante o ato, os moradores expressaram seu luto e a necessidade de respeito e serviços adequados, afirmando que merecem as mesmas políticas públicas que outras regiões da cidade.
O acontecimento gerou uma onda de apoio nas redes sociais, com várias mensagens de solidariedade e indignação em relação à falta de atendimento médico. Alguns usuários compartilharam detalhes do momento de dor vivido pela comunidade após a morte de Isadora, destacando a fragilidade do sistema de saúde local.
No dia seguinte, 21 de novembro, os moradores se reuniram em um ato simbólico na sede da Euterpe Lumiarense, onde homenagearam Isadora e proporcionaram atividades para outras crianças do distrito.
A prefeitura se manifestou sobre os recursos para a construção da unidade de emergência e aquisição da ambulância, informando detalhes sobre valores e processos em aberto, mas ainda não respondeu a outras questões levantadas pelos manifestantes.
A situação em Lumiar e São Pedro da Serra continua preocupante, e a comunidade aguarda providências que possam garantir atendimento médico digno e urgente na região.