09/02/2026
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Relógio biológico fraco pode sinalizar risco de demência

Relógio Biológico e o Risco de Demência

Um estudo recente indica que o relógio biológico do corpo, chamado ritmo circadiano, pode estar ligado ao aumento do risco de demência. Pesquisadores acompanharam mais de 2.000 adultos idosos, que usaram monitores para registrar os padrões de descanso e atividade ao longo de cerca de 12 dias.

Os resultados mostraram que aqueles com ritmos circadianos mais fracos ou irregulares têm uma chance maior de desenvolver demência nos anos seguintes. Além disso, pessoas que apresentam aumento da atividade no final do dia têm 45% mais probabilidade de enfrentar essa condição.

Os cientistas afirmam que pesquisas futuras sobre como o ritmo circadiano pode ser melhorado, como por meio da exposição à luz ou mudanças de estilo de vida, podem trazer novas formas de reduzir o risco de demência.

O Que São os Ritmos Circadianos?

O ritmo circadiano é o sistema de relógio natural do corpo. Ele regula o ciclo de sono e vigília ao longo de 24 horas e ajuda a controlar funções essenciais, como a liberação de hormônios, digestão e temperatura corporal. Esse relógio interno é comandado pelo cérebro e é sensível a sinais ambientais, especialmente a luz.

Quando os ritmos circadianos estão fortes, o corpo se mantém alinhado com o ciclo de luz e escuridão. Isso gera padrões de sono e atividade consistentes, mesmo com mudanças de rotina ou de estação. Por outro lado, ritmos mais fracos fazem o relógio biológico ficar mais suscetível a interrupções. Assim, quem tem ritmos menos estáveis tende a mudar seus horários de sono e atividade facilmente.

Envelhecimento e Mudanças Circadianas

Com o passar dos anos, os ritmos circadianos podem sofrer alterações. O estudo revelou que distúrbios nesses ritmos podem ser um fator de risco para doenças neurodegenerativas, como a demência. A autora do estudo, Wendy Wang, destacou que pessoas com ritmos frágeis e fragmentados, além de níveis de atividade que aumentavam mais tarde no dia, apresentaram risco elevado de demência.

Participantes do Estudo

O estudo incluiu 2.183 adultos com média de 79 anos que não tinham demência no início da pesquisa. Dentre eles, 24% eram negros e 76% brancos. Cada participante usou um pequeno monitor cardíaco no peito por cerca de 12 dias. Esses dispositivos acompanharam os períodos de descanso e atividade, permitindo que os pesquisadores analisassem os padrões dos ritmos circadianos. Após três anos, 176 participantes foram diagnosticados com demência.

Medindo a Força do Ritmo

Os cientistas analisaram os dados dos monitores usando vários indicadores da força do ritmo circadiano. Um dos principais parâmetros foi a amplitude relativa, que mede a diferença entre os momentos de maior e menor atividade ao longo do dia. Quanto maior a amplitude, mais forte e definido é o ritmo diário da pessoa.

Os participantes foram divididos em três grupos com base na força do ritmo. Ao comparar os grupos mais forte e mais fraco, verificou-se que 31 das 728 pessoas do grupo forte desenvolveram demência, enquanto 106 das 727 do grupo fraco enfrentaram o mesmo problema. Levando em conta fatores como idade, pressão arterial e doenças cardíacas, observou-se que aqueles com ritmos mais fracos tinham quase duas vezes e meia mais chance de demência. Cada queda na amplitude relativa esteve ligada a um aumento de 54% no risco de demência.

Picos de Atividade Tardios e Risco Aumentado

O momento da atividade diaria também se mostrou importante. Pessoas cuja atividade atingia o pico no final da tarde, a partir das 14h15, corriam maior risco de demência do que aquelas cuja atividade picos era entre 13h11 e 14h14. Cerca de 7% dos participantes do grupo que atingia o pico mais cedo desenvolveram demência, em comparação com 10% do grupo que teve picos mais tarde, resultando em um risco 45% maior.

Essa diferença de horário pode indicar um descompasso entre o relógio biológico da pessoa e os sinais externos de luz e escuridão.

Por Que Ritmos Desregulados Podem Ser Prejudiciais?

Desajustes nos ritmos circadianos podem alterar processos corporais, como a inflamação, e interferir no sono. Isso pode aumentar a presença de placas beta-amiloide, que estão relacionadas à demência, ou diminuir a remoção dessa substância do cérebro. Portanto, novos estudos devem explorar como intervenções relacionadas ao ritmo circadiano, como terapia de luz e mudanças no estilo de vida, podem reduzir o risco de demência.

Limitações do Estudo

Uma limitação do estudo foi a falta de dados sobre distúrbios do sono, como a apneia, que poderiam ter influenciado os resultados. Isso destaca a necessidade de considerar outros fatores que podem afetar o risco de demência em pesquisas futuras.

Essa pesquisa é um passo importante para entender melhor como a desregulação do relógio biológico pode impactar a saúde mental, especialmente em idosos. Compreender esses vínculos pode ajudar a desenvolver novas estratégias de prevenção.

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