A Secretaria de Saúde de São Paulo alertou para um aumento nas ocorrências de picadas de escorpiões durante o verão. Com o calor e as férias, o número de acidentes com esses aracnídeos tende a aumentar. Até o dia 5 de outubro de 2025, foram registrados 40.282 casos de picadas e dois óbitos relacionados a escorpiões no estado.
Gisele Freitas, diretora técnica da Divisão de Zoonoses do Centro de Vigilância Epidemiológica, explicou que os escorpiões se tornam mais ativos em épocas de altas temperaturas. Eles se adaptaram bem ao ambiente urbano, onde encontram água, alimento (principalmente baratas) e locais para se abrigar.
Esses aracnídeos são noturnos e costumam se esconder em entulhos, restos de obra, jardins, conduítes elétricos, muros sem reboco, lixo e até caixas de brinquedos. A maioria dos acidentes ocorre quando as pessoas mexem nessas áreas, como em reformas ou ao manusear objetos.
Freitas destacou que, embora muitas picadas sejam leves, os sintomas graves podem incluir dor intensa, ardência, vômitos, sudorese excessiva, agitação e aumento do ritmo cardíaco e respiratório. Crianças e idosos são os grupos mais vulneráveis às consequências severas das picadas. O corpo das crianças ainda não está completamente desenvolvido, o que pode potencializar os efeitos do veneno. Já os idosos frequentemente têm outras condições de saúde que tornam o quadro mais complicado. Além disso, quanto menor a pessoa, maior a concentração do veneno em seu organismo.
No caso de um acidente, é essencial que crianças até 10 anos recebam atendimento imediatamente, mesmo que os sintomas sejam leves. Freitas enfatizou que acidentes com crianças podem ser graves e evoluir rapidamente para complicações.
O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece os antivenenos para tratamento de picadas de escorpiões de forma gratuita. Em São Paulo, existem 232 Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESAs) espalhados pelo estado, com o objetivo de reduzir o tempo de atendimento após uma picada, especialmente em casos envolvendo crianças. É possível encontrar o ponto de atendimento mais próximo por meio do site do SUS.
O que fazer após uma picada
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Adultos:
- Lave o local da picada com água e sabão e observe os sintomas.
- Procure atendimento em um posto estratégico se surgirem sintomas como vômitos.
- Na maioria dos casos, não é necessário o uso de soro. O antiveneno é indicado para casos moderados (três ampolas) ou graves (seis ampolas).
- Se os sintomas aparecerem e você não viu o animal, busque atendimento e informe a suspeita.
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Crianças até 10 anos:
- O caso é sempre considerado sério. Leve a criança imediatamente para um ponto de saúde, mesmo que não haja sintomas visíveis.
- Um sinal principal é a dor intensa, que pode fazer a criança chorar desesperadamente.
- Novamente, se houver dor e não se viu o escorpião, vá ao atendimento e informe sobre a suspeita.
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Idosos:
- Devem procurar atendimento rapidamente devido à fragilidade e comorbidades.
Freitas sugeriu que tirar uma foto do escorpião ajudaria na identificação da espécie, que pode ser importante para o tratamento. Em São Paulo, as espécies comuns incluem o escorpião-amarelo, o marrom e o amarelo do nordeste. O escorpião-negro da Amazônia não é encontrado no estado. Caso você se sinta seguro, pode tentar recolher ou capturar o animal com uma pinça ou sob um recipiente.
Como prevenir picadas de escorpião
Não há venenos eficazes para eliminar escorpiões, portanto, a prevenção é a melhor abordagem. Aqui estão algumas dicas para evitar que escorpiões encontrem abrigo e alimento perto das casas:
- Mantenha quintais e jardins sempre limpos.
- Retire entulhos e restos de obras das redondezas.
- Vede frestas em portas, ralos, pias, tanques, chuveiros e locais onde passe fiação elétrica.
- Sempre sacuda roupas e sapatos antes de usá-los.
- Limpe frequentemente caixas e brinquedos onde os escorpiões possam se esconder.
Essas medidas ajudam a proteger sua casa e a sua família dos riscos de picadas de escorpiões.