O ano de 2026 promete ser um momento crucial para o país, marcado por uma disputa eleitoral que transcende questões políticas superficiais. Neste cenário, o Sistema Único de Saúde (SUS) ocupa um espaço central nos debates, sendo visto por muitos como um alicerce para um novo modelo de desenvolvimento nacional. O SUS vai além de uma simples rede de hospitais e postos de saúde; ele representa o direito à vida e está intimamente ligado à defesa da democracia e da soberania.
Um dos principais desafios enfrentados é a necessidade de reverter a ideia de que a saúde deve ser tratada como um produto comercial. Esse modelo ultraliberal já demonstrou suas falhas em crises recentes, exacerbando problemas na assistência à saúde. A luta contra a desregulamentação é essencial, pois a flexibilização das normas pode expor a população a riscos maiores, como evidenciado por incidentes envolvendo produtos adulterados. Assim, é fundamental fortalecer a política nacional de vigilância em saúde para garantir a segurança sanitária.
Outro obstáculo significativo é a fragmentação das ações entre União, estados e municípios. A experiência mostra que, sem um sistema de saúde robusto e bem coordenado, as políticas podem se tornar ineficazes. É necessário construir uma estrutura que permita uma gestão integrada e eficiente do SUS.
A participação da sociedade na gestão do SUS também é fundamental. Substituir a participação popular por decisões apenas técnicas, sem o engajamento da população, enfraquece a essência do SUS, que se baseia nos princípios de democracia e controle social.
Para enfrentar esses desafios, um programa estruturado é necessário. Entre os principais eixos propostos, destaca-se a criação de um Complexo Econômico-Industrial da Saúde. Essa iniciativa visa tornar o país menos dependente de insumos e tecnologias estrangeiras, fortalecendo a produção local de medicamentos e vacinas. Isso não só aumenta a soberania nacional, mas também gera empregos e estimula a inovação no setor.
O financiamento do SUS é outro aspecto crucial. É essencial garantir um aumento significativo dos recursos públicos destinados à saúde, aspirando a alcançar índices internacionais que atendam às demandas da população. O objetivo é investir pelo menos 6% do Produto Interno Bruto (PIB) em recursos para o SUS, promovendo o acesso universal, reduzindo filas de espera, valorizando os profissionais de saúde e fortalecendo a atenção primária.
Além disso, há uma proposta de integrar a ciência como um patrimônio coletivo. A ideia é unir o conhecimento científico com saberes tradicionais para que a pesquisa atenda às necessidades reais das pessoas. É vital que as descobertas científicas não sejam monopolizadas por interesses privados, que, por meio de patentes, podem restringir o acesso a medicamentos e tratamentos essenciais.
A discussão da saúde também não pode ignorar a urgência das questões ambientais. A agenda climática precisa ser incorporada nas estratégias do SUS, criando um plano para adaptar o sistema de saúde às mudanças climáticas e preparar o país para possíveis pandemias e desastres ambientais. Isso deve incluir a proteção da população mais vulnerável e a promoção da saúde ambiental.
Portanto, o ano de 2026 não é apenas uma oportunidade para uma vitória eleitoral, mas um chamado à construção de uma maioria social que coloque o bem-estar coletivo no centro das políticas públicas. A saúde deve ser reconhecida como um direito universal, e defender o SUS é um passo fundamental para garantir uma vida digna e a soberania do país em seu futuro.
Essa batalha pela saúde é vital para que o país supere seus desafios históricos e inicie um caminho em direção a um desenvolvimento democrático e soberano. É hora de garantir que o sistema de saúde se torne um verdadeiro espaço de emancipação e justiça social para todos.