O atendimento a pacientes de fora do Distrito Federal está gerando um alto custo para a saúde local. Em 2025, a Secretaria de Saúde do DF registrou mais de 50 mil internações de pessoas que residem em estados vizinhos, como Goiás e Minas Gerais. A previsão é que os gastos cheguem a quase R$ 1 bilhão, principalmente com internações hospitalares.
De acordo com o secretário de Saúde do DF, Juracy Lacerda, o fluxo de pacientes de outras regiões para a rede pública de saúde do DF representa um grande desafio financeiro. Ele destaca que a proximidade com estados vizinhos faz do DF um polo de saúde, atraindo muitas pessoas em busca de tratamento. Em 2024, o total de internações em hospitais da Secretaria de Saúde do DF chegou a 238 mil, com gastos de aproximadamente R$ 675 milhões apenas com pacientes das regiões adjacentes.
Os custos com internações em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) foram expressivos, totalizando mais de R$ 134,4 milhões. Além disso, internações para cirurgias geraram R$ 89,1 milhões em despesas, e as internações para partos custaram cerca de R$ 77 milhões. Essa situação também se reflete nos partos realizados nas unidades de saúde do DF, onde aproximadamente 30% das internações na área de maternidade foram de mães de fora do DF. Em 2025, dos 42 mil partos feitos, 10,9 mil foram de mães que residem em outros estados, com a maioria dos recém-nascidos sendo de Goiás.
Nos períodos de doenças sazonais, como a gripe, a demanda por atendimento se intensifica. Em 2024, 28% das internações pediátricas foram de pacientes de fora do DF. Tratamentos especializados, como cirurgias oncológicas e cuidados de doenças graves, também atraem um número considerável de pacientes de outras regiões, com índices entre 14% e 19%.
As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o Hospital de Base e o Hospital Regional de Santa Maria, que fazem parte do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), atenderam 227 mil pacientes de fora, representando cerca de 12% do total de atendimentos em 2025.
O Sistema Único de Saúde (SUS) garante assistência a todos os cidadãos, independentemente de onde residem. Assim, moradores do DF também podem buscar atendimento em outros estados. Juracy Lacerda comenta que, apesar dos mecanismos de compensação financeiros do SUS, os atendimentos acabam superando os reembolsos federais, o que pressiona o orçamento do DF.
Para situações específicas, como o tratamento do câncer, é necessário planejamento adequado. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima que o DF deve lidar com 7 mil novos casos por ano. Entretanto, se a cidade continuar a atender pacientes da região do Entorno, esse número deve ser reconsiderado para cerca de 9 mil casos anuais. Assim, um planejamento realista se torna essencial para assegurar a saúde e o bem-estar da população.