04/02/2026
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Saúde e meio ambiente: como a crise afeta nossas vidas

Entre os dias 18 e 24 de novembro de 2025, o Brasil se uniu à Semana Mundial de Conscientização sobre a Resistência aos Antimicrobianos, uma iniciativa da Organização Mundial da Saúde (OMS). Esta campanha tem como objetivo mobilizar instituições, profissionais de saúde e a população em geral para enfrentar a resistência antimicrobiana (RAM), um problema crescente que ameaça a saúde pública global. A resistência antimicrobiana é a incapacidade de bactérias, vírus, fungos e parasitas de reagir aos medicamentos convencionais, resultando em infecções mais graves, maiores taxas de mortalidade e altos custos hospitalares.

No Brasil, cerca de 48 mil pessoas morrem anualmente em decorrência de infecções resistentes a antibióticos. Caso a situação não melhore, a previsão é de que esse número possa atingir até 1,2 milhão de mortes anuais até 2050. A utilização inadequada e excessiva de antimicrobianos, além de condições de higiene precárias e falta de acesso a água potável, estão entre as principais causas dessa realidade preocupante.

A campanha de 2025 enfatiza a necessidade de um uso responsável de antimicrobianos não apenas em seres humanos, mas também na pecuária, na aquicultura e na agricultura. Essa abordagem, conhecida como “one health” (saúde única), reconhece a interdependência entre a saúde dos seres humanos, dos animais e do meio ambiente. Essa visão se conecta ao conceito de saúde planetária, que investiga como as ações humanas impactam a saúde dos ecossistemas e, consequentemente, a saúde humana. Um exemplo triste de como o descaso humano pode afetar a saúde é o desastre de Mariana, ocorrido em 2015, em Minas Gerais.

O uso excessivo de recursos naturais, como no caso dos antibióticos, tem gerado um ciclo vicioso preocupante. Embora a penicilina tenha sido descoberta em 1928 por Alexander Fleming, revolucionando a medicina após a Segunda Guerra Mundial, a utilização indiscriminada dos antibióticos fez surgir microrganismos multirresistentes que desafiam as práticas médicas atuais e têm causado milhões de mortes.

Para combater a resistência antimicrobiana, é essencial promover o uso racional de antibióticos e investir em práticas de prevenção e controle de infecções, especialmente em ambientes hospitalares. A desinfecção adequada de superfícies, a higiene das mãos e o uso correto de equipamentos de proteção individual são fundamentais para evitar a propagação de microrganismos resistentes. Essas ações não apenas economizam recursos, mas também contribuem para preservar a eficácia dos antibióticos.

Outro desafio importante é o alto custo de novos antibióticos. O desenvolvimento desses medicamentos é um processo caro e demorado, o que desestimula a indústria farmacêutica, já que os retornos financeiros são limitados, uma vez que o uso deve ser restringido para evitar novas resistências. A escassez de novos fármacos inovadores disponíveis no mercado torna a situação ainda mais crítica, afetando a capacidade dos sistemas de saúde pública de atender às demandas.

O Brasil tem feito progresso com o Plano Nacional para a Prevenção e o Controle da Resistência Antimicrobiana e com o Programa Nacional de Monitoramento de Microrganismos Resistentes. No entanto, ainda existem limitações na capacidade dos laboratórios para detectar microrganismos resistentes, além de um acesso desigual aos antibióticos necessários para o tratamento das infecções.

Discutir a resistência antimicrobiana é também abordar a saúde planetária, refletindo sobre como envolvemos e cuidamos dos recursos naturais. Proteger os antibióticos é, portanto, uma maneira de preservar vidas e garantir um futuro mais saudável para o planeta.

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