09/02/2026
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Saúde mental e inteligência emocional impulsionam aprendizado

A saúde mental é uma questão importante em todas as fases da vida e envolve aspectos emocionais, psicológicos e sociais, conforme explica a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Este conceito vai além da simples ausência de transtornos mentais, sendo fundamental para o desenvolvimento humano. Ela afeta a capacidade de aprendizado, a forma como lidamos com as pressões diárias, nossas relações sociais e a participação na vida comunitária.

A pandemia de COVID-19 trouxe à tona desafios significativos relacionados à saúde mental de crianças e adolescentes. Um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) revela que mais de 16% dos jovens entre 10 e 19 anos enfrentam algum tipo de transtorno mental. Esse contexto destacou a importância das condições de vida e das relações afetivas para o bem-estar emocional dessa faixa etária.

Bruna Elias, diretora pedagógica da escola bilíngue Brasil Canadá e especialista em bilinguismo, aponta que diversos fatores no ambiente escolar influenciam a saúde mental dos alunos. Problemas como relações interpessoais frágeis, excesso de pressão acadêmica, conflitos não resolvidos, falta de pertencimento e a ausência de espaços seguros para expressão emocional podem afetar negativamente os estudantes.

Ela ressalta que iniciativas que promovem autoconhecimento e regulação emocional, principalmente nas etapas iniciais da educação, são essenciais. Atividades lúdicas e projetos que incentivam a comunicação aberta, o respeito e a empatia ajudam a criar um ambiente escolar mais saudável, minimizando o risco de problemas emocionais.

Ignorar os sinais de fragilidade emocional pode resultar em consequências graves, como queda no desempenho escolar, dificuldades de concentração, isolamento social e aumento da ansiedade e da depressão. A atuação preventiva da escola tem o potencial de evitar que esses problemas se tornem obstáculos permanentes no desenvolvimento dos alunos.

A pedagoga também destaca que a segurança emocional no ambiente escolar é crucial para o aprendizado. Quando os alunos não se sentem acolhidos, o desempenho acadêmico pode ser comprometido. Além disso, a falta de apoio emocional pode intensificar comportamentos agressivos ou isolados.

A formação continuada dos professores é vital para que eles possam identificar precocemente sinais de sofrimento emocional e aplicar estratégias adequadas. Um olhar sensível e bem preparado pode fazer a diferença no atendimento às necessidades dos alunos, garantindo que os educadores estejam alinhados às práticas que promovem o bem-estar.

Um guia do Ministério da Educação sugere que as escolas devem ser espaços de fortalecimento emocional e social, integrando ações que desenvolvam competências socioemocionais como autoconsciência e regulação emocional. Isso reflete a importância de preparar os alunos não apenas academicamente, mas também intimamente.

Incorporar a inteligência emocional ao currículo escolar pode ajudar os alunos a reconhecerem e lidarem melhor com suas emoções. Com essas habilidades, eles se tornam mais autônomos, colaborativos e resilientes, qualidades essenciais tanto para a vida escolar quanto para a convivência em sociedade.

A especialista sugere que as escolas podem adotar dinâmicas lúdicas, rodas de conversa e projetos temáticos, sempre respeitando a individualidade de cada aluno. Essas abordagens ajudam a fortalecer o senso de pertencimento e tornam a escola um lugar mais acolhedor.

Além de atividades específicas, construir rotinas claro, espaços de escuta ativa e métodos colaborativos promove um ambiente mais seguro. Práticas que valorizem as emoções, como checagem emocional e pausas estratégicas, podem contribuir significativamente para o bem-estar emocional dos alunos.

Por fim, a comunicação entre escola, família e profissionais de saúde é fundamental. Essa colaboração permite que todos compreendam melhor o contexto de cada estudante e oferece uma rede de apoio que facilita intervenções mais eficazes. Bruna Elias enfatiza que o acompanhamento deve ser continuo, respeitando o tempo e as formas que cada aluno tem para lidar com suas emoções. Cada um vive suas emoções de maneira única, e o processo educativo precisa acolher essa diversidade.

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