Os serviços de saúde mental na rede pública do Distrito Federal estão enfrentando sérios problemas de sobrecarga, apesar de receberem boas avaliações dos usuários. Essa situação é confirmada por dados oficiais, relatos de pacientes e opiniões de profissionais da área. Mesmo com a confirmação da Secretaria de Saúde do DF sobre a expansão da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), a cobertura de serviços de saúde mental ainda é insuficiente, especialmente nas regiões mais vulneráveis.
A Secretaria de Saúde informou que há planos para a inclusão de novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026. As cidades de Paranoá, Itapoã, São Sebastião, Jardim Botânico e Jardins Mangueiral devem receber novos CAPS, além da elaboração de projetos para novas unidades. A Secretaria ressaltou que essas ações dependem da disponibilidade de recursos e terrenos adequados.
Nos primeiros seis meses deste ano, os CAPS do DF registraram mais de 200 mil atendimentos, representando um aumento de 11,1% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram realizados aproximadamente 180 mil atendimentos. No entanto, o tempo de espera para consultas em psicologia está em torno de 270 dias, ou seja, cerca de oito meses. Há atualmente 3.763 pacientes na fila de espera por essas consultas. Para psiquiatria, essa demanda é ainda maior, com 10.224 registros.
Em relação à cobertura, o DF tem a segunda menor proporção de CAPS no Brasil, com apenas 0,54 unidades para cada 100 mil habitantes, o que é inferior à média nacional de 1,13. Essa realidade afeta diretamente o atendimento, já que a estrutura de saúde mental conta com apenas 18 CAPS. Apesar de funcionarem em regime de porta aberta, esses centros não conseguem atender a toda demanda.
As autoridades afirmam que atualmente estão em andamento as obras de dois novos CAPS, um focado em crianças e adolescentes no Recanto das Emas e um CAPS III, que funcionará 24 horas, no Gama, com previsão de conclusão para o primeiro semestre de 2026. Além disso, três novas unidades estão sendo licitadas para Ceilândia, Guará e Taguatinga, visando aumentar a capacidade de atendimento.
Profissionais da saúde mental ressaltam que a expansão da RAPS é fundamental, mas deve ser feita de maneira integrada, garantindo a relação entre os CAPS e a atenção primária. Eles destacam que o atendimento em saúde mental precisa ser mais amplificado e incluído na comunidade, e não apenas limitado à unidades de saúde.
Caminhando para as experiências dos usuários, em uma visita ao CAPS II do Riacho Fundo, pacientes relataram que o espaço é um “segundo lar”. Um deles, que tem Transtorno do Espectro Autista, compartilhou sua satisfação com o atendimento e o ambiente acolhedor. Outra paciente, em tratamento para depressão, ansiedade e bipolaridade no CAPS II de Taguatinga, expressou gratidão pelo suporte recebido, afirmando que sua qualidade de vida melhorou consideravelmente.
Entretanto, a realidade nos CAPS nem sempre é tão positiva. Funcionários mencionam a falta de recursos e desafios devido à escassez de profissionais. Um enfermeiro destacou que a estrutura é precária e que a equipe faz o possível para atender todos os pacientes, mesmo em condições difíceis. Profissionais de diferentes CAPS apontam a necessidade de cuidar de pessoas que ainda não procuraram atendimento, mas que podem estar em situações de risco.
Para especialistas, é urgente promover ações que aumentem a eficiência da RAPS. Sugestões incluem a formação de novos profissionais e a expansão de serviços comunitários, além da necessidade de repensar como os recursos públicos são utilizados na área. A melhoria na estrutura dos CAPS é vista como um passo importante para garantir atendimento de qualidade.
Em resumo, a saúde mental no Distrito Federal ainda enfrenta desafios significativos, como a escassez de profissionais, a alta demanda e a necessidade de melhor estrutura e atendimento. A ampliação dos CAPS e a qualificação dos serviços são questões prioritárias a serem abordadas para garantir o bem-estar da população.