06/02/2026
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Saúde mental nas empresas precisa de ações efetivas, não discursos

O mês de janeiro é conhecido como Janeiro Branco, um período voltado à promoção da saúde mental e emocional. Este ano, a discussão sobre o tema ganha destaque também no ambiente corporativo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas no mundo sofrem com transtornos mentais, como ansiedade e depressão, que se tornaram a segunda maior causa de incapacidade de longo prazo, gerando altos custos sociais e econômicos.

Em uma importante atualização, a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) incluirá, a partir de maio, a saúde psicológica nas diretrizes de segurança para trabalhadores, integrando-a ao Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). Essa mudança representa um avanço significativo, pois traz o tema da saúde mental para o cotidiano das empresas, ao invés de tratá-lo como uma questão pontual. As organizações têm até o dia 26 de maio para se adequar à nova regra, sob risco de multas e processos na Justiça do Trabalho.

Recentemente, o Ministério da Previdência Social divulgou dados alarmantes sobre afastamentos no trabalho: em 2024 foram emitidas 472.328 licenças médicas por problemas psicológicos, um aumento de 68% em relação ao ano anterior. Entre as principais causas estão a ansiedade, depressão, crises de pânico e a síndrome de burnout, que é uma condição relacionada ao estresse extremo no ambiente profissional. Em Pernambuco, o termo “burnout” se tornou um dos mais pesquisados no Google em 2024, refletindo uma crescente preocupação com a saúde mental dos trabalhadores.

A síndrome de burnout pode ser oficialmente reconhecida como uma doença ocupacional quando se comprova a relação com as condições de trabalho. A advogada trabalhista Ana Gabriela Burlamaqui explica que a inclusão do burnout na lista de doenças ocupacionais, feita pelo Ministério do Trabalho e Emprego em janeiro de 2024, torna o processo jurídico mais simples para os trabalhadores afetados, que agora têm mais direitos garantidos.

Embora o tema não seja completamente ignorado pelas empresas, a efetividade das ações ainda deixa a desejar. Iniciativas como o Setembro Amarelo e o Janeiro Branco buscam aumentar a conscientização, mas muitas organizações não incorporam a saúde mental em sua cultura. A neuropsicóloga Irene Brasileiro alerta que ambientes de trabalho com alta pressão podem agravar problemas de saúde mental. Empresas que priorizam a saúde mental em suas estratégias, revisando metas e proporcionando um ambiente de trabalho saudável, tendem a ter menos faltas e maior engajamento dos funcionários.

A importância de abordar a saúde mental de forma mais ampla e não apenas em datas específicas é destacada por especialistas. Irene observa que intervenções superficiais não resolvem os problemas reais enfrentados pelos trabalhadores. Reconhecer os transtornos mentais como um risco corporativo implica que as empresas têm uma responsabilidade direta pelo bem-estar de seus colaboradores, e a nova NR-1 serve como um importante guia nesse processo.

Algumas empresas já estão cientes da necessidade de cuidar da saúde mental de seus funcionários. A diretora global de Pessoas e Responsabilidade Social da Gerdau, Flávia Nardon, destaca que a performance e o bem-estar estão interligados, e a empresa tem investido em ações que beneficie seus 30 mil colaboradores. O programa + Cuidado oferece ajuda gratuita em questões psicológicas, financeiras e sociais, enquanto o Gerdau pra Você cuida das condições básicas de saúde física e mental.

Apesar do avanço na valorização da saúde mental, a atualização da NR-1 é fundamental para formalizar essa atenção nas empresas. A expectativa é que, junto com campanhas de conscientização, a nova norma contribua para a melhoria do cenário relacionado à saúde mental no trabalho. Especialistas acreditam que essa sensibilização pode levar as empresas a implementarem ações em saúde mental, similares a campanhas conhecidas como Outubro Rosa e Novembro Azul.

Assim, com a nova regulamentação e a crescente conscientização sobre a saúde mental, espera-se que as empresas comecem a valorizar mais o bem-estar de seus colaboradores, promovendo um ambiente de trabalho mais saudável e produtivo.

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