28/02/2026
@»Cirurgia do coração»Saúde mental no Rio Grande do Sul precisa de reconstrução

Saúde mental no Rio Grande do Sul precisa de reconstrução

Mais de um ano após as severas enchentes que impactaram o Rio Grande do Sul, ainda é difícil falar em superação. As inundações atingiram 478 municípios, afetando mais de 2,3 milhões de pessoas, e as consequências vão além da destruição física, deixando marcas emocionais profundas. A água levou não apenas casas, mas também memórias e alterou a geografia da região. O trauma vivido pela população persiste e a reconstrução não deve ser vista como um simples avanço, como se nada tivesse acontecido.

Eventos climáticos severos provocam consequências duradouras na saúde das pessoas. De acordo com estudos, a taxa de mortes relacionadas ao calor tem aumentado desde os anos 1990. No contexto brasileiro, situações de desastres, como as de Mariana e Brumadinho, demonstraram que problemas como ansiedade, insônia, estresse e lapsos de memória podem durar anos. Recentemente, um tornado no Paraná causou destruição em uma cidade inteira, resultando em mortes e feridos, mostrando que os impactos desses eventos podem ser devastadores. A realidade no Rio Grande do Sul é semelhante: o que foi vivido não chegou ao fim, mas passou para uma nova fase.

Durante as crises, surgiram atitudes de coragem e solidariedade que ajudaram muitas pessoas. Redes de apoio foram criadas, com famílias que perderam tudo compartilhando o pouco que ainda tinham. Profissionais trabalharam arduamente para ajudar os afetados. Embora essa mobilização solidária seja inspiradora, não deve ser romantizada como uma prova de resistência do povo gaúcho, e não substitui a necessidade de políticas que ofereçam suporte estrutural.

A noção de resiliência não deve ser um convite ao silêncio. A população precisa de apoio para se reconstruir, principalmente crianças, idosos e aqueles que sofreram perdas significativas. Essas pessoas se situam entre os grupos mais vulneráveis e necessitam de acompanhamento especializado, o que se configura como uma questão de saúde pública.

Cuidar das pessoas afetadas tem se mostrado eficaz. Instituições, como o Instituto Moinhos Social, estão mobilizando equipes profissionais para oferecer atendimento em saúde, suporte psicológico e assistência a famílias em situação de vulnerabilidade. Além de distribuir kits de higiene, a atuação desse tipo de organização continua após a emergência, garantindo um suporte prolongado.

Para reconstruir o Estado, será necessário implementar obras, planejamentos e investimentos focados em prevenção. No entanto, uma estratégia só será efetiva se levar em consideração a dimensão humana da tragédia. É essencial incluir no debate questões relacionadas à saúde mental, educação emocional, fortalecimento de comunidades e políticas de longo prazo.

As marcas deixadas pelas enchentes trazem consigo uma responsabilidade coletiva. O Rio Grande do Sul necessita de um cuidado ativo, escuta e de políticas que assegurem que ninguém enfrente essa jornada sozinho. A verdadeira reconstrução não deve ser medida apenas em estruturas materializadas, mas sim em vidas que sejam reintegradas com dignidade. Se a experiência da enchente foi coletiva, o processo de cura também precisa ser compartilhado por todos.

Sobre o autor: suporte

Ver todos os posts →