26/03/2026
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Se eu tivesse pernas, te daria um chute

Se Eu Tivesse Pernas, Eu te Chutaria

Filme “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria” Traça Retrato do Isolamento Materno

O filme “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria”, dirigido e roteirizado por Mary Bronstein, tem uma duração de quase duas horas e foca na protagonista Linda, interpretada por Rose Byrne. Linda é uma psicóloga que enfrenta uma série de desafios, como um vazamento no apartamento, a complicada situação de estacionamento na escola da filha, e um tratamento para um transtorno alimentar raro.

No decorrer do filme, fica evidente que Linda não conta com apoio significativo das pessoas ao seu redor. Seu marido, que trabalha em um cruzeiro, só é ouvido por telefone e não está presente na rotina familiar. Seu chefe, um psiquiatra interpretado por Conan O’Brien, tenta se distanciar dela desde o início. Além disso, outras figuras masculinas, como um novo vizinho vivido por A$AP Rocky, também parecem contribuir para uma dinâmica em que os homens atuam como “resolvedores de problemas”, mas apenas quando a situação se torna insustentável.

Bronstein explora como esses personagens masculinos se sentem bem ao desempenhar o papel de heróis, mesmo que suas ações sejam superficiais. Linda, por sua vez, se vê repetidamente enganada por esses gestos que, embora possam parecer altruístas, simplesmente reforçam sua solidão. A capacidade de reação rápida diante das adversidades faz dela uma figura que provoca empatia, mas também sustenta uma crítica ao modo como as mulheres frequentemente enfrentam lutas sem receber o suporte que precisam.

A atuação de Rose Byrne se destaca por sua complexidade. Conhecida por papéis em comédias e filmes de terror, Byrne revela um lado mais profundo e vulnerável de sua personagem. Sua nervosidade e impulsividade trazem um toque de humor, mas também refletem as frustrações que a levam a situações extremas.

O filme não oferece uma visão otimista do universo feminino. Em vez disso, explora a dura realidade de ser mãe e as pressões sociais que geram ansiedade e medo. Mary Bronstein cria um retrato realista e, por vezes, impiedoso, do isolamento que muitas mulheres enfrentam em suas vidas diárias.

O enredo revela que, mesmo quando Linda tenta escapar de suas situações difíceis, os olhares de desaprovação e as reações de quem deveria ajudar apenas aprofundam seu isolamento. Esse ciclo vicioso agrava sua realidade e a leva a um desfecho nada agradável.

O objetivo de “Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria” é, de fato, manter a audiência ao lado de Linda até o final, mesmo que isso signifique encarar um desfecho triste e revelador. O filme convida a uma reflexão sobre a vida de mulheres que, assim como Linda, lutam sozinhas, tentando encontrar espaço e apoio em um mundo que parece muitas vezes indiferente.

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