05/02/2026
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Sedentário e estressado: o novo perfil do paciente cardíaco

Cardiologistas estão percebendo um aumento nas doenças cardiovasculares entre pessoas cada vez mais jovens. Pacientes com idades entre 20 e 30 anos estão apresentando problemas que antes eram mais comuns em pessoas mais velhas. Fernanda Weiler, cardiologista do Hospital Sírio-Libanês em Brasília, destaca que o perfil cardiovascular de jovens está se deteriorando.

Especialistas apontam que mudanças no estilo de vida são fatores importantes para essa realidade. O sedentarismo, especialmente o aumento do tempo que as pessoas passam sentadas, principalmente em frente a telas de computadores e celulares, é um dos principais motivos. Esse comportamento contribui para inflamações e problemas circulatórios que elevam o risco de doenças cardíacas.

Além do sedentarismo, a alimentação também tem um papel significativo. O consumo de alimentos ultraprocessados, que contêm grandes quantidades de gordura, sódio e açúcar, está associado ao sobrepeso e à obesidade. Essas condições podem levar à hipertensão e ao aumento do colesterol, fatores que aumentam a probabilidade de problemas cardíacos, como infartos.

Outros vilões para a saúde do coração dos jovens incluem o uso de cigarros eletrônicos e a pressão causada por jornadas estressantes de trabalho. O uso comum de substâncias estimulantes também tem se tornado uma preocupação crescente.

Fernanda também enfatiza a importância de um sono adequado e de qualidade. Dormir mal pode afetar a saúde cardiovascular de forma significativa; portanto, é aconselhado que as pessoas procurem entender a qualidade do seu sono.

A obsessão pela aparência, que muitas vezes está ligada a uma ideia distorcida de saúde, também gera riscos. O desejo de ter um corpo magro ou musculoso pode levar ao uso excessivo de suplementos e até mesmo de anabolizantes, que podem prejudicar o coração, um músculo como qualquer outro no corpo.

Agnaldo Piscopo, cardiologista e diretor da Sociedade de Cardiologia de São Paulo, afirma que as redes sociais são um fator que piora essa situação, aumentando a busca por padrões de beleza que não são saudáveis. Ele alerta que muitas pessoas esquecem que o coração também pode ser afetado por essas substâncias.

Outro problema é que muitos jovens não têm acompanhamento médico regular, o que dificulta diagnósticos precoces e tratamentos que poderiam prevenir complicações graves como infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Dados do Ministério da Saúde mostram que as internações por infarto entre pessoas com menos de 40 anos aumentaram 184% entre 2000 e 2022.

Para aqueles com histórico familiar de hipertensão ou problemas cardíacos, consultas médicas regulares são essenciais. Especialistas recomendam que quem tem parentes que sofreram infarto antes dos 40 anos busque avaliação médica o quanto antes.

Recentemente, novas diretrizes para hipertensão foram estabelecidas, indicando que uma pressão arterial de 120 por 80 já pode ser considerada pré-hipertensão. Essa mudança tem o objetivo de prevenir novos casos de hipertensão.

Além disso, os cardiologistas ressaltam a importância de manter as vacinas em dia, como as contra gripe e covid-19, já que infecções virais podem agravar a saúde cardiovascular.

Os profissionais recomendam criar uma rotina que inclua sono de qualidade, exercícios físicos regulares e uma alimentação saudável baseada em alimentos in natura. Essas medidas podem ajudar a proteger a saúde do coração, especialmente entre os jovens.

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