05/02/2026
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Significado do nome que padre não quis pronunciar

Um incidente ocorrido durante um batismo na Igreja Nossa Senhora da Paz, no Leblon, Rio de Janeiro, gerou uma polêmica. Um padre se recusou a pronunciar o nome da bebê Yaminah, alegando que não se tratava de um nome cristão e que estava associado a um culto religioso. Os pais da menina, Marcelle Turan e seu marido, registraram a situação na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância, alegando preconceito religioso e racial. O padre negou as acusações, afirmando que o nome foi mencionado.

Yaminah é um nome árabe que possui uma origem significativa. Derivado da palavra “Yameen” (يمين), significa “direita” ou “lado direito”, simbolizando bênção, sorte e força nas culturas do Oriente Médio. O sufixo feminino “-ah” transforma o termo em “aquela que é abençoada”. Marcelle explicou que a escolha do nome foi intencional, visando transmitir uma mensagem de justiça e prosperidade.

O nome Yaminah é positivo nos dicionários árabes clássicos, como o Lisan al-Arab, onde está associado a “bem-aventurança” e retidão. Embora não seja comum no Brasil, a variação Yaminah encontra espaço em comunidades muçulmanas ao redor do mundo, além de ter variantes como Amina e Yamina em algumas regiões africanas.

Durante o batizado, conforme registrado em vídeo, a família pediu que o padre mencionasse o nome da criança. Contudo, ele se referiu a ela apenas como “a criança” ou “a filha de vocês”. A mãe, Marcelle, afirmou que antes da cerimônia, o padre comentou com a sogra que não falaria o nome da criança por não ser cristão. Ele ainda sugeriu que o nome Maria fosse utilizado no lugar, mas a família recusou.

Durante a cerimônia, quando é habitual que o padre declare “eu te batizo, [nome]”, a família alega que o nome Yaminah não foi mencionado. Embora o Código de Direito Canônico da Igreja Católica recomende que nomes alheios à tradição cristã sejam evitados, especialistas afirmam que essa prática não impede indivíduos de serem batizados. Desde a década de 1980, não existe a obrigatoriedade de escolher um nome de santo para o batismo.

A Arquidiocese do Rio de Janeiro se manifestou informando que o nome da criança não precisa ser mencionado em todos os momentos da cerimônia. Esse episódio levanta discussões sobre liberdade religiosa e aceitação de diferentes culturas dentro do contexto das tradições religiosas.

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