Entre janeiro e setembro de 2023, o governo de Tarcísio de Freitas concedeu em média 95 licenças médicas por dia para professores que enfrentam problemas de saúde mental. Esses dados foram coletados pela associação Centro do Professorado Paulista (CPP) e revelam um cenário preocupante sobre a saúde mental desses profissionais.
A CPP obteve informações por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), que detalha as licenças médicas relacionadas a transtornos mentais, após avaliação médica. Segundo a Diretoria de Perícias Médicas do Estado (DPME), foram emitidas 25.699 licenças nesse período, totalizando 911.634 dias de afastamento, o que resulta em uma média de 35 dias por licença. É importante ressaltar que esses dados se referem apenas aos professores efetivos e estatutários, não incluindo os temporários.
Já em 2024, até o mês de setembro, 42.155 licenças foram autorizadas, gerando 1.344.442 dias de afastamento, com uma média de 31 dias por licença. A região da Grande São Paulo foi a que apresentou o maior número de afastamentos, com 13.534 licenças. A segunda região com mais registros foi Campinas, com 3.356 licenças.
A CPP alerta para a situação, destacando a pressão emocional que os professores estão enfrentando e a necessidade de políticas de prevenção para melhorar a saúde mental desses profissionais. O diretor-geral da associação, Alessandro Soares, ressaltou que os números servem como um alerta sobre o adoecimento dos educadores.
Por outro lado, a Secretaria da Educação do Estado afirma que está atenta aos indicadores de saúde dos seus servidores, trabalhando em conjunto com a DPME. A secretaria informou que tem implementado iniciativas focadas em prevenção e cuidado com os educadores. Desde 2024, há um serviço de teleatendimento psicológico e psiquiátrico disponível para os profissionais da rede, que já realizou mais de 650 mil atendimentos até o final de outubro de 2023.
Além disso, a secretaria mencionou que os desafios da educação contemporânea, incluindo as mudanças após a pandemia, integração de novas tecnologias e novas demandas pedagógicas, têm trazido ainda mais desafios para os educadores. Com isso, a valorização e o bem-estar dos professores têm sido prioridades para a gestão.