06/02/2026
@»Cirurgia do coração»SUS oferece teleatendimento em saúde mental para apostadores online

SUS oferece teleatendimento em saúde mental para apostadores online

Vício em Jogos Eletrônicos Desencadeia Medidas de Prevenção em Saúde

O crescimento das apostas eletrônicas, especialmente pelas chamadas “bets”, está afetando as finanças e a saúde de muitos brasileiros. Para enfrentar essa situação, os Ministérios da Saúde e da Fazenda iniciaram ações voltadas à prevenção do vício e à proteção da saúde física, mental e financeira dos usuários.

No dia 3 de outubro, os ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Fernando Haddad (Fazenda) firmaram um acordo de cooperação técnica que respalda várias iniciativas. Um dos principais projetos é a criação de uma plataforma de autoexclusão, que será lançada em 10 de dezembro. A ferramenta permitirá que os apostadores que desejam parar possam se bloquear de sites de apostas e também tornar seus CPF indisponíveis para novos cadastros e anúncios publicitários relacionados a jogos.

Um estudo recente revelou que as apostas no Brasil geram perdas econômicas e sociais estimadas em R$ 38,8 bilhões por ano, destacando a gravidade do problema.

Além da plataforma de autoexclusão, o acordo prevê a criação do Observatório Brasil Saúde e Apostas Eletrônicas, que servirá como um canal de troca de informações entre os ministérios, facilitando ações conjuntas de apoio aos usuários. Conforme explicou Alexandre Padilha, o observatório irá coletar dados que ajudam a entender padrões de adição, possibilitando que as equipes de saúde contatem pessoas que necessitam de ajuda.

As iniciativas incluem também orientações sobre como buscar atendimento na rede pública. Por meio do aplicativo Meu SUS Digital e da Ouvidoria do SUS, os usuários poderão encontrar informações sobre os serviços disponíveis. O Ministério da Saúde também lançou uma Linha de Cuidado, que oferece orientações e atendimento, tanto presencial quanto online, para aqueles com problemas relacionados a jogos de apostas.

A partir de fevereiro de 2026, a rede pública de saúde disponibilizará teleatendimentos focados em saúde mental para tratar questões ligadas às apostas, em parceria com o Hospital Sírio-Libanês. Inicialmente, está previsto um atendimento de 450 casos online por mês, com possibilidade de expansão conforme a demanda.

O ministro Fernando Haddad ressaltou, durante a assinatura do acordo, que embora as apostas tenham sido autorizadas em 2018, houve pouca regulamentação durante a administração anterior. Ele destacou a necessidade de estabelecer regras sobre tributação, publicidade e práticas responsáveis em jogos.

O novo regulamento estipula que crianças e beneficiários de programas sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), não podem usar seus CPFs para se cadastrar em sites de jogos.

De acordo com o diretor do Departamento de Saúde Mental, Álcool e Outras Drogas do Ministério da Saúde, Marcelo Kimati, há um aumento nos atendimentos de pessoas com transtornos ligados ao jogo. Em 2023, foram registrados 2.262 atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS), número que subiu para 3.490 em 2024. Nos primeiros seis meses de 2025, já haviam sido realizados 1.951 atendimentos.

Durante a cerimônia de assinatura, Kimati apresentou um perfil comum entre aqueles que enfrentam problemas de vício em jogos. Ele apontou que a maioria é composta por homens jovens, entre 18 e 35 anos, predominantemente negros, com histórico de estresse e dificuldades sociais, como separações ou desemprego, além de uma rede de apoio escassa. Esse perfil está diretamente associado a condições de vulnerabilidade na sociedade.

Sobre o autor: suporte

Ver todos os posts →