O que são Painéis GFRG?
A utilização de painéis estruturais de gesso reforçados com fibra de vidro (GFRG), conhecidos como Rapidwall, está aumentando em construções residenciais e institucionais em várias partes da Ásia e da Oceania. Esses painéis representam uma alternativa mais industrializada em relação à tradicional alvenaria de tijolos.
Segundo estudos técnicos de instituições públicas e acadêmicas, esse sistema construtivo tem a capacidade de reduzir prazos de obra, diminuir o peso das divisórias e otimizar o espaço no canteiro de obras. Os painéis são grandes e feitos em fábricas, o que os torna mais eficientes.
Centros de pesquisa e organizações de habitação publicaram diretrizes e aprovações técnicas sobre esse método, incluindo relatos de obras que já foram finalizadas e estão em funcionamento.
Como funciona o sistema de painéis GFRG
O sistema de GFRG é baseado em painéis moldados com gesso de alta pureza e reforçados com fibras de vidro. Esses painéis possuem cavidades longitudinais que ajudam a aliviar o peso. Quando necessário, são inseridas barras de aço e concreto em locais específicos, garantindo que as paredes suportem carga, especialmente nas paredes estruturais.
Quando os painéis são montados, eles são unidos com graute e conectores, formando assim paredes, divisórias e estruturas de laje e cobertura. A execução de um andar completo pode ser feita em algumas etapas simples, como cortes e aberturas para as instalações, que são planejados desde o início do projeto.
Como a fabricação é feita em linha de produção, as variações que podem ocorrer em métodos mais artesanais são minimizadas. O processo é semelhante ao de instalação, com os painéis sendo içados por guindaste e ajustados com precisão nas marcações. Depois, recebe-se o graute nas junções.
Ganhos de prazo, peso e qualidade
Relatórios técnicos destacam que o desempenho do sistema GFRG se baseia em três fatores principais: o formato modular das grandes peças, o menor peso das divisórias e a concretagem que ocorre apenas nos pontos necessários.
Essas características resultam em um prazo de execução mais curto em comparação com a alvenaria convencional. Utilizar componentes com acabamento produzido na fábrica minimiza os retrabalhos, especialmente quando a arquitetura é compatível com o sistema.
Os projetistas precisam de um bom planejamento ao adotar esse método, que inclui o detalhamento da disposição dos painéis, a diferença entre elementos que suportam carga e os que não suportam, e a distribuição dos núcleos preenchidos.
Em edifícios com vários andares, o projeto estrutural deve considerar a sequência de montagem, a conexão com lajes e a trajetória das cargas, junto com os reforços nos núcleos.
Diretrizes públicas e base de cálculo
O crescimento do uso de GFRG foi apoiado por políticas habitacionais em lugares como a Índia, onde manuais e aprovações técnicas foram publicadas para permitir o uso em larga escala. Instituições como o IIT Madras elaboraram manuais de cálculo e guias para edifícios com vários andares, incluindo critérios de dimensionamento e conexões entre painéis.
Esses manuais oferecem informações aos projetistas e construtores sobre resistência, desempenho em fogo, resistência acústica e diretrizes de fabricação e montagem. Além disso, há publicações específicas que orientam sobre impermeabilização e proteção das superfícies, sempre visando aumentar a durabilidade e o desempenho em ambientes úmidos.
Canteiro: do assentamento ao encadeamento industrial
Nas obras, a maior mudança que se percebe é o encadeamento industrial. Ao invés de transportar e colocar milhares de tijolos, a equipe recebe painéis pré-fabricados que são içados e colocados em sequência.
As aberturas para portas e janelas são cortadas na obra com ferramentas apropriadas, enquanto as instalações elétricas e hidráulicas passam pelas cavidades internas dos painéis. Essa sequência de trabalho reduz áreas bagunçadas e facilita a organização do espaço, contribuindo para o controle de qualidade e segurança no trabalho.
Quando se trata de projetos com andares repetidos, essa metodologia ajuda a aumentar a produtividade, uma vez que a repetição dos layouts beneficia a experiência da equipe. Em construções de habitação popular, hotéis e escolas, a montagem dos painéis permite que as áreas sejam liberadas para acabamentos de forma mais previsível.
Materiais, fogo e desempenho
O principal material utilizado é o gesso de alta pureza, que é tratado com fibras e aditivos de controle. Isso resulta em componentes que possuem baixa permeabilidade. Quando protegidos com revestimentos adequados, esses painéis mostram bom desempenho em relação ao fogo e são prontamente pintáveis.
Os manuais técnicos abordam aspectos como resistência mecânica, resistência acústica e performance durante ações horizontais. A orientação é que o uso de concreto e aço ocorra somente onde é realmente necessário para garantir a estrutura, como nos núcleos e vigas. Essa estratégia permite otimizar recursos sem comprometer a segurança.
Engenheiros afirmam que isso também minimiza a quantidade de materiais e facilita o trabalho no canteiro de obras, reduzindo a necessidade de betoneiras e caminhões.
Logística e implantação: o que muda no dia a dia
Trabalhar com grandes painéis exige um planejamento logístico detalhado. É importante garantir áreas para armazenamento, rotas de circulação sem obstruções e equipamentos adequados para içamento. O projeto deve levar em conta as limitações de transporte desde a fábrica e coordenar a sequência de montagem.
Treinamentos para a equipe são essenciais para garantir que haja controle em relação a prumos, níveis e tolerâncias. Integrar o sistema a um fluxo digital permite um melhor aproveitamento dos processos.
O detalhamento sobre a disposição dos painéis, juntamente com a compatibilização das instalações, ajuda a evitar improvisações e a diminuir retrabalhos, garantindo assim uma melhor qualidade no acabamento final.
Marcos regulatórios e referências para o Brasil
No Brasil, a discussão sobre a industrialização da construção tem avançado, focando em produtividade e eficiência. Para o sistema GFRG, o mercado observa referências internacionais, como guias de montagem e manuais de cálculo, adaptando essas diretrizes às normas locais de segurança e desempenho.
Atualmente, não existe uma norma específica da ABNT para o sistema GFRG, por isso, projetos que desejam utilizar essa tecnologia devem procurar avaliações técnicas e diretrizes internacionais que ajudem na tomada de decisões.
Pesquisadores afirmam que essa solução pode se destacar em projetos seriados com andares repetitivos, onde a padronização e a otimização de etapas são cruciais para aumentar a eficiência. Em programas habitacionais, a concretagem focada permite uma montagem ágil e segura, desde que o controle de qualidade seja mantido.
Considerações finais
A implementação do sistema de painéis GFRG pode transformar a maneira como se constrói, especialmente em ambientes onde agilidade e eficiência são essenciais. Com o planejamento adequado, é possível aproveitar ao máximo as vantagens desse método, garantindo que projetos sejam entregues no prazo e com qualidade.