04/02/2026
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Teste de biomarcador identifica patologia da Alzheimer precocemente

Avanços na Detecção Precoce da Doença de Alzheimer

Antes mesmo de surgirem mudanças visíveis em exames de imagem, um novo teste de biomarcadores, desenvolvido na Universidade de Pittsburgh, é capaz de detectar quantidades mínimas da proteína tau. Essa proteína tem uma tendência a se agregar no cérebro de pacientes com Alzheimer. A pesquisa recente mostra que esse teste pode apontar a presença de formas patológicas da tau no líquido cerebrospinal e, possivelmente, no sangue.

Esse teste que avalia o líquido cerebrospinal está ligado à gravidade do declínio cognitivo. Afinal, consegue indicar a evolução da doença sem considerar outras variáveis, como o depósito de amiloide no cérebro. Isso abre novas possibilidades para diagnosticar a doença em seus estágios iniciais e realizar intervenções.

Tradicionalmente, a pesquisa de biomarcadores focou mais no amiloide-beta, uma proteína que costuma aparecer antes da tau em pessoas com Alzheimer. No entanto, a formação de emaranhados de tau, conhecidos como “emaranhados neurofibrilares”, é um sinal mais crucial. Esses emaranhados estão mais diretamente associados às mudanças cognitivas que os indivíduos experimentam.

Thomas Karikari, professor assistente de psiquiatria da Universidade de Pittsburgh, explica que seu teste pode detectar estágios muito iniciais da formação desses emaranhados, até dez anos antes de serem vistos em exames de imagem. Esse tipo de detecção precoce deve ajudar no sucesso de tratamentos para Alzheimer. Pesquisas mostram que pacientes com poucos ou nenhum emaranhado de tau são mais propensos a beneficiar-se de novos tratamentos.

Muitas pessoas mais velhas podem ter placas de amiloide no cérebro sem desenvolver sintomas de Alzheimer. A Associação de Alzheimer definiu três pilares neuropatológicos necessários para diagnosticar a doença: a presença de patologia tau, amiloide-beta e neurodegeneração. Em busca de biomarcadores que sejam acessíveis, Karikari já tinha demonstrado que uma forma específica de tau, chamada BD-tau, pode ser medida no sangue. Isso é um bom indicador da neurodegeneração característica do Alzheimer.

Karikari também descobriu que formas específicas de tau fosforilado no sangue, como p-tau181, p-tau217 e p-tau212, podem prever a presença de amiloide-beta no cérebro. Isso elimina a necessidade de exames cerebrais caros e demorados. Apesar disso, as ferramentas atuais ainda se concentram na patologia do amiloide, e a detecção precoce da tau continua um desafio.

Os exames de tau-PET são confiáveis e ajudam a prever a carga tau no cérebro, mas têm limitações. São caros, trabalhosos e sensíveis, e só conseguem detectar emaranhados de tau quando já há um número significativo deles no cérebro. Nessa fase, a patologia geralmente é intensa e difícil de reverter.

Nesse novo estudo, Karikari e sua equipe utilizaram técnicas de bioquímica e biologia molecular para identificar uma região central da proteína tau, essencial para a formação dos emaranhados. Eles encontraram locais-chave dentro dessa região de 111 aminoácidos, chamada tau258-368, que podem ajudar a identificar proteínas tau propensas a se agregar.

Particularmente, dois novos locais de fosforilação, p-tau-262 e p-tau-356, ajudam a informar com precisão sobre a fase inicial da agregação da tau. Com intervenções apropriadas, é possível que essa situação seja revertida.

Karikari faz uma analogia interessante: “O amiloide-beta é como uma faísca, e a tau, um fósforo. Muitas pessoas com depósitos de amiloide no cérebro nunca vão desenvolver demência. Contudo, quando os emaranhados de tau aparecem em um exame, pode ser tarde demais para reverter o quadro, e a saúde cognitiva pode deteriorar rapidamente.”

A detecção precoce da tau que tende a se agrupar pode ajudar a identificar quem está mais propenso a desenvolver o declínio cognitivo relacionado ao Alzheimer. Essas pessoas podem ser beneficiadas por novas terapias que estão sendo desenvolvidas.

As descobertas desse estudo são importantes para entender melhor a trajetória da doença de Alzheimer. Ao focar na identificação precoce, é possível abrir caminhos para intervenções que possam melhorar a qualidade de vida de muitas pessoas.

Os dados mostrados aqui têm potencial para impactar significativamente o jeito que a doença é diagnosticada e tratada. Ao desenvolver métodos mais eficazes e acessíveis, podemos avançar na luta contra essa condição que afeta tantas famílias ao redor do mundo.

A pesquisa é um passo importante para compreender a complexidade do Alzheimer. Os resultados obtidos ajudam a desmistificar questões sobre a relação entre as proteínas tau e amiloide, trazendo esperança para novas abordagens terapêuticas.

Na luta contra Alzheimer, diagnósticos precoces são essenciais. A detecção de biomarcadores que indicam o estágio inicial da tau pode ser o diferencial no tratamento. Ao entender melhor essas alterações, médicos e pesquisadores poderão oferecer soluções mais eficazes.

Cada nova descoberta é um avanço na área da saúde, principalmente para doenças complexas como Alzheimer. Com o tempo, as pesquisas ajudam a solidificar o conhecimento e a orientar o cuidado adequado para quem enfrenta esses desafios.

O suporte financeiro de diversas instituições mostra a importância do investimento na pesquisa do Alzheimer. Essas colaborações são fundamentais para o desenvolvimento de novas estratégias e tratamentos que podem salvar vidas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

O trabalho em equipe entre pesquisadores de diferentes locais também é um ponto positivo. Essa interação entre instituições amplia a base de conhecimento e fortalece a luta contra a doença.

Para familiares e cuidadores, entender o que está acontecendo em relação a biomarcadores e teste de proteína tau traz um alívio. A esperança se renova a cada descoberta, pois isso pode significar novas oportunidades de cuidado e tratamento.

Por tudo isso, o acompanhamento contínuo e a pesquisa em Alzheimer são primordiais. É a partir desse conhecimento que surgem novas possibilidades para a detecção e o tratamento, trazendo esperança para aqueles afetados e suas famílias. Essa jornada está apenas começando, e o futuro promete avanços que podem transformar a realidade da doença.

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