05/02/2026
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Transfusões de sangue podem acelerar a progressão do Alzheimer

Influência do Sangue na Doença de Alzheimer

Pesquisas recentes mostram que o sangue de animais mais velhos pode acelerar as mudanças relacionadas ao Alzheimer no cérebro. Em contraste, o sangue de animais mais jovens pode ajudar a desacelerar essas alterações. Em um experimento de longa duração, camundongos geneticamente modificados para desenvolver sintomas similares aos do Alzheimer receberam transfusões de sangue semanalmente de doadores mais jovens e mais velhos.

O sangue de doadores mais velhos aumentou o acúmulo de uma proteína chamada beta-amilóide e piorou a performance cognitiva dos camundongos. Por outro lado, o sangue jovem teve efeitos protetores. Análises proteômicas revelaram mais de 250 proteínas alteradas, relacionadas ao sinalização sináptica, canais de cálcio e outros caminhos associados à neurodegeneração. Esses achados apontam fatores do sangue como alvos potenciais para futuras terapias contra o Alzheimer.

Fatos Importantes

  1. Influência do Sangue:
    O sangue de doadores mais velhos acelerou o acúmulo de beta-amilóide e o declínio cognitivo em camundongos de modelo de Alzheimer.

  2. Efeito Protetor:
    O sangue jovem alterou os perfis de proteínas do cérebro de modo a melhorar a função sináptica e neuronal.

  3. Potencial Terapêutico:
    Os resultados indicam que fatores derivados do sangue podem ser uma nova fronteira para intervenções na doença de Alzheimer.

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência no mundo e representa um grande desafio de saúde pública. A pesquisa também revelou que o sangue de camundongos mais velhos pode acelerar a progressão da doença, enquanto o sangue jovem pode ter efeitos protetores.

O estudo foi liderado por pesquisadores do Instituto Latinoamericano de Saúde Cerebral (BrainLat) da Universidad Adolfo Ibáñez, em colaboração com o MELISA Institute, a Universidade de Texas Health Science Center em Houston e a Universidad Mayor.

Alzheimer se caracteriza pelo acúmulo anormal de proteína beta-amilóide no cérebro, formando placas que atrapalham a comunicação entre os neurônios e desencadeiam processos neurodegenerativos.

Embora essa proteína se forme no sistema nervoso central, estudos anteriores sugerem que ela também pode estar presente no sangue, o que abre novas possibilidades para entender a progressão da doença.

Estudo com Camundongos

Para investigar, os cientistas usaram camundongos transgênicos Tg2576, um modelo amplamente utilizado em pesquisas sobre Alzheimer. Esses camundongos receberam transfusões semanais de sangue de doadores jovens e velhos por 30 semanas. O objetivo era ver se fatores do sangue poderiam afetar a acumulação da amiloide e o comportamento dos animais.

“Esse trabalho colaborativo destaca a importância de entender como os fatores sistêmicos influenciam o cérebro e afetam mecanismos que promovem a progressão da doença”, afirma Dr. Claudia Durán-Aniotz, do BrainLat.

Os pesquisadores avaliaram a performance cognitiva usando o teste de Barnes, analisaram a acumulação de placas amiloides com técnicas histológicas e bioquímicas, e realizaram uma análise proteômica abrangente dos cérebros tratados.

Essa análise encontrou mais de 250 diferentes proteínas expressas de forma alterada, ligadas a funções sinápticas, sinalização endocanabinoide e canais de cálcio, que podem explicar as mudanças observadas.

Mauricio Hernández, especialista em proteômica no MELISA Institute, comentou que “realizamos uma análise proteômica em larga escala que nos permitiu gerar dados de excelente qualidade em uma matriz complexa como o plasma, o que é um desafio técnico para qualquer laboratório de proteômica”.

Resultados e Implicações

Os resultados reforçam a ideia de que fatores do sangue podem impactar diretamente a progressão de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer. Entender esses mecanismos poderá ajudar na identificação de novos alvos terapêuticos e estratégias preventivas. O próximo passo é descobrir exatamente quais são esses fatores e se é possível intervir neles em humanos.

“É um prazer contribuir com nossas capacidades proteômicas para apoiar iniciativas de pesquisa inovadoras, como este estudo, que nos permitem avançar no conhecimento e desenvolvimento de novas terapias para doenças neurodegenerativas,” enfatizou Dr. Elard Koch, presidente do MELISA Institute.

Perguntas Frequentes

Como o sangue mais velho afetou a patologia do Alzheimer no estudo?

Os camundongos que receberam sangue de doadores mais velhos mostraram acúmulo mais rápido de placas amiloides, mudanças nos perfis de proteínas do cérebro e pior desempenho em testes cognitivos. Essas alterações sugerem que fatores do sangue mais velho promovem a progressão da doença.

Quais benefícios o sangue jovem trouxe no modelo de Alzheimer?

O sangue jovem ajudou a mudar a expressão de proteínas no cérebro, levando a sinais sinápticos mais saudáveis e reduzindo a disfunção relacionada à doença. Esses efeitos protetores indicam a presença de fatores moleculares que podem desacelerar ou combater a neurodegeneração.

Por que essa pesquisa é relevante para o desenvolvimento de tratamentos para Alzheimer?

As descobertas mostram que a interação entre o sangue e o cérebro desempenha um papel importante na progressão do Alzheimer. Identificar as moléculas específicas do sangue envolvidas pode abrir caminho para novas estratégias terapêuticas que se concentrem em fatores sistêmicos e não apenas no cérebro.

A pesquisa atual nos proporciona uma compreensão mais ampla sobre a interação entre o sangue e o cérebro, criando novas oportunidades para tratamentos que podem ser mais eficazes no controle da doença. Com a identificação desses fatores, teremos uma nova abordagem para lidar com o Alzheimer, que é um problema crescente em nossa sociedade.

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