19/03/2026
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Trump e Arábia Saudita: o impacto sobre Israel na política dos EUA

Why Trump’s lavish Saudi courtship leaves Israel on the back foot | US foreign policy

O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, foi um dos mais ostentosos durante sua presidência, refletindo as prioridades da política externa americana. Embora a visita tenha sido apresentada como um compromisso de trabalho, as cerimônias e os rituais foram mais grandiosos do que os vistos em visitas anteriores.

Trump recebeu o príncipe no gramado sul da Casa Branca, o maior espaço de eventos do local. A cerimônia incluiu uma apresentação de cavaleiros uniformizados e um sobrevoo de caças. No interior do Salão Oval, Trump demonstrou entusiasmo pela amizade que afirmava ter com o príncipe, apertando sua mão repetidamente e enfatizando a honra que era ter uma relação próxima.

No entanto, essa atmosfera festiva foi rapidamente interrompida quando uma jornalista mencionou o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em 2018, um evento que ainda paira como uma sombra sobre as relações entre os dois países. Trump reagiu com agressividade, defendendo o príncipe e desmerecendo a crítica. Ele afirmou que Khashoggi era uma figura “extremamente controversa” e insistiu que Mohammed bin Salman não teve conhecimento do crime, algo que contrasta com os relatórios das agências de inteligência dos EUA.

Essa abordagem de Trump, que tende a ignorar questões de direitos humanos em favor de alianças com líderes autocráticos, não é novidade. Desde o início de seu segundo mandato, as direções da política externa dos EUA se tornaram mais favoráveis à Arábia Saudita. Durante a visita do príncipe, o presidente confirmou que jets F-35, tecnologia militar avançada, estão disponíveis para venda à Arábia Saudita, uma decisão que pode impactar a relação com Israel, uma vez que tradicionalmente o país sempre teve prioridade na aquisição dos melhores armamentos.

O que se destaca nessa nova política é a intenção de tratar a Arábia Saudita e Israel com igualdade em termos de acesso a equipamentos militares. Trump declarou que ambos os países são grandes aliados e merecem o melhor, o que não é um discurso bem recebido em Tel Aviv, onde há preocupações de que isso rompa com uma tradição que buscava manter uma “vantagem qualitativa” de Israel em relação a outros aliados.

Além da venda de armas, o governo americano anunciou que levantará a proibição de vender chips de inteligência artificial para a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos. Essa decisão pode acelerar os planos da Arábia Saudita de se tornar um centro tecnológico global, utilizando centros de dados que sustentariam uma economia de inteligência artificial.

A pesquisa de parcerias na área de tecnologia é comparada a investimentos históricos americanos na indústria de petróleo saudita na década de 1930, e especialistas sugerem que isso poderia fortalecer a ligação entre os EUA e a Arábia Saudita, reforçando a segurança saudita de maneira mais sólida do que qualquer acordo formal.

Recentemente, a política dos EUA também apresentou movimentos que indicam uma mudança em relação à primazia israelense no Oriente Médio. Uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, redigida pelos EUA, incluiu referências a um possível caminho para a criação de um Estado palestino. Além disso, Trump retirou sanções sobre a Síria, o que não se alinhava com as preferências israelenses. Em suas visitas ao Oriente Médio, o presidente se encontrou com países árabes, deixando Israel de fora, o que acendeu alertas em Tel Aviv.

Essas manobras representam um descontentamento crescente entre os aliados e um movimento rumo a um novo equilíbrio nas relações políticas da região. A Arábia Saudita está atenta a como suas relações com os EUA se desenrolarão, especialmente à luz das ameaças de depender mais da China para suas necessidades de segurança e tecnologia, caso os interesses sauditas não sejam atendidos pelos EUA.

Por fim, os compromissos anunciados, como os US$ 1 trilhão em investimentos e a venda dos caças, carecem de um cronograma definido. Também não está claro quantos F-35 serão realmente vendidos. Discussões sobre pactos de defesa e acordos nucleares civis enfrentam barreiras políticas que podem atrasar sua implementação. As relações com Israel sob os Acordos de Abraão estão condicionadas ao compromisso com a criação de um Estado palestino, uma questão cujas perspectivas são incertas no momento atual. A dinâmica da política americana no Oriente Médio, portanto, ainda parece estar em um estado de transição, mas fundamentalmente similar.

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