23/03/2026
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Vacina do Instituto Butantan contra dengue é iniciada em Botucatu

A vacinação contra a dengue com a vacina Butantan-DV começou no último domingo (18) em Botucatu, interior de São Paulo. Esta cidade foi a única escolhida pelo Ministério da Saúde para participar do estudo sobre o impacto desse novo imunizante na população.

A vacina Butantan-DV é pioneira no mundo por ser aplicada em dose única e foi formulada para proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Essa abordagem visa acelerar a imunização, simplificar a logística e reduzir os custos operacionais associados à vacinação.

Botucatu foi selecionada por ter uma estrutura de saúde considerada adequada e por já contar com experiência em campanhas de vacinação em larga escala, como ocorreu durante a pandemia de Covid-19. Além disso, a cidade enfrentou um aumento recente nos casos de dengue, especialmente do sorotipo DENV-3. A meta é vacinar cerca de 90% da população com idades entre 15 e 59 anos e monitorar a efetividade da vacina ao longo do tempo.

A produção da vacina começou antes mesmo da aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O Instituto Butantan já começou a entregar as primeiras doses ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) no final de dezembro. Até o fim de janeiro, está previsto que 1,3 milhão de doses sejam disponibilizadas, aumentando para 3 milhões no primeiro semestre e alcançando 30 milhões até o final de 2026, dependendo da demanda.

A Anvisa autorizou o uso da Butantan-DV para pessoas entre 12 e 59 anos. Inicialmente, as doses serão destinadas aos profissionais da Atenção Primária, que trabalham em unidades de saúde e fazem visitas domiciliares. A vacinação para o público em geral ocorrerá gradualmente, à medida que a produção aumentar.

Os ensaios clínicos da vacina, realizados entre 2016 e 2024 com mais de 16 mil voluntários de 14 estados, demonstraram uma eficácia geral de 74,7%. A vacina apresenta 91,6% de eficácia contra formas graves da doença e 100% de eficácia na prevenção de hospitalizações. Os estudos mostraram que o imunizante é seguro tanto para aqueles que já tiveram dengue quanto para aqueles que não tiveram, com reações adversas, em sua maioria, leves ou moderadas.

A Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB) da Unesp será responsável pelo acompanhamento dos resultados, monitorando laboratorialmente os casos de dengue registrados na cidade. Os dados obtidos farão parte de um estudo nacional coordenado pelo Ministério da Saúde, que também inclui os municípios de Maranguape, no Ceará, e Nova Lima, em Minas Gerais.

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