O advogado e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, foi sócio dos irmãos do ministro Dias Toffoli no resort Tayayá, localizado no Paraná. A ligação entre esse empreendimento e o esquema de fraudes de Vorcaro, relacionado a um fundo chamado Arleen, foi revelada em reportagens recentemente. Além disso, foi informado que Zettel é cotista deste fundo por meio de um outro, chamado Leal.
Entre 2021 e 2025, os irmãos de Toffoli compartilharam o controle do resort Tayayá com o fundo de investimentos Arleen, onde Zettel também estava envolvido. Quando questionado, Vorcaro afirmou não saber sobre os negócios dos fundos, insistindo que nunca foi cotista ou estava envolvido na gestão dos mesmos.
A assessoria de Vorcaro reforçou que ele não tem conhecimento ou participação em negócios relacionados ao resort ou a outros investimentos associados a esses fundos. A defesa de Zettel destacou que suas atividades empresariais são lícitas e não estão ligadas à gestão do Banco Master.
Em relação aos investimentos do fundo Leal, um balanço disponível até junho de 2024 indica que ele também possuía ações em empresas ligadas a Vorcaro, como a Flytour e Befly, ambas de Belo Horizonte, onde Vorcaro reside. A Flytour passou a ser controlada por Vorcaro e um sócio em 2020. Vorcaro esclareceu que a Befly era cliente do Banco Master e recebeu investimentos de sua holding, mas afirma que não existe ligação com as operações dos fundos mencionados.
O atual proprietário do Tayayá é Paulo Humberto Barbosa, que entrou no negócio em fevereiro de 2025, comprando a participação pertencente aos irmãos Toffoli por um valor estimado em R$ 3,5 milhões. Barbosa, que já advogou para a JBS, adquiriu também a parte de Mario Umberto Degani, primo do ministro, que permaneceu no negócio até setembro de 2025.
Atualmente, a Polícia Federal e o Banco Central estão investigando se o Banco Master utilizava uma rede de fundos para inflar seu patrimônio de forma irregular. A suspeita é de que o dinheiro desviado do Master estaria sendo usado para financiar o que os investigadores chamam de “laranjas” de Vorcaro.
Após a divulgação da ligação entre os fundos de Vorcaro e o ministro Toffoli, o magistrado autorizou uma operação que resultou na prisão temporária de Zettel, que tentava embarcar para Dubai. Algumas decisões tomadas por Toffoli durante essa operação chamaram a atenção, como a ordem para que as provas fossem mantidas em sigilo no STF. Inicialmente, apenas a Procuradoria-Geral da República teria acesso aos documentos, mas essa decisão foi revertida, permitindo que peritos da Polícia Federal analisassem as provas.